Do sofá ao avião, situações comuns de imobilidade podem favorecer a formação de coágulos. Especialistas explicam como reconhecer sinais e reduzir riscos
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Um dos fatores que podem contribuir para a formação de coágulos está presente em situações comuns do dia a dia: permanecer por longos períodos sem se movimentar, como ao passar horas sentado trabalhando, enfrentar uma longa viagem, ficar imobilizado por muito tempo por causa de uma fratura ou até mesmo permanecer muitos dias em repouso depois de uma cirurgia. Foi o que aconteceu com a publicitária Tâmara Gondim, que, após uma bariátrica realizada em 2006, foi diagnosticada com o problema duas semanas depois.
“Senti uma forte dor na perna, não conseguia pisar no chão e telefonei para o médico perguntando se tinha algo relacionado com a cirurgia. Orientada pelo cirurgião gástrico, procurei um angiologista que fez um doppler venoso. Após o diagnóstico de trombose, fui enviada imediatamente para o hospital onde fiquei seis dias internada. Além disso, fui medicada por meses com um anticoagulante”, explica a publicitária.
O problema não é ficar sentado. É quando a falta prolongada de movimento se soma a outros fatores e favorece a formação de um coágulo dentro de um vaso sanguíneo. Quando esse trombo se desloca e chega aos pulmões, pode provocar uma embolia pulmonar, complicação considerada grave.
“Nosso corpo foi feito para se movimentar. A circulação sanguínea nas pernas depende também desse movimento e na falta prolongada de mobilidade, o sangue pode circular mais lentamente contribuindo para a formação de um coágulo, causando trombos. Além disso, a trombose venosa pode ocorrer por lesões nas paredes internas dos vasos, como inflamações ou traumas, ou ainda, em casos de alterações na constituição das células sanguíneas que modificam a viscosidade normal do sangue circulante”, alerta Marçal de Oliveira Huoya, professor da Afya Salvador e cardiologista, ao evidenciar a necessidade de se reconhecer situações de risco no cotidiano.
Segundo dados do Ministério da Saúde, somente no primeiro semestre de 2025, foram diagnosticados mais de 36 mil novos casos de trombose em todo o país, com média de 200 internações por dia. Na Bahia, o monitoramento enfrenta limitações. No entanto, a Secretaria de Saúde (Sesab) aponta para cerca de mil internações por ano, nos hospitais da rede estadual.
O especialista da Afya Salvador explica que a forma mais conhecida do problema é a chamada trombose venosa profunda, que costuma atingir os membros inferiores, e alerta que apesar de sinais como dores, inchaço, aumento da temperatura da perna, alteração da coloração da pele e endurecimento da região, a trombose pode aparecer de forma assintomática, que é quando não há sintomas evidentes.
“Nos casos da trombose venosa dos membros inferiores, que são as mais comuns, dor local, vermelhidão e inchação. Se os sintomas surgirem em um pós-operatório ou após uma viagem automobilística ou aérea prolongada, o serviço de urgência deve ser rapidamente procurado”, explica o professor da Afya Salvador.
Os fatores de risco mais comuns, segundo o especialista, estão na rotina de quem atravessa por cirurgias e internações prolongadas, imobilidade, viagens longas, obesidade, idade avançada, tabagismo, varizes, uso de anticoncepcionais e terapia hormonal, além de predisposição genética e algumas condições clínicas.
O professor Marçal declara ainda que uma viagem longa de avião ou ônibus não precisa ser encarada com medo, mas com planejamento. “Nesses casos, quando se passa longos períodos sentada, a pessoa deve movimentar as pernas e evitar permanecer imóvel por muitas horas, para favorecer a circulação”, conclui.
Ainda segundo o Ministério da Saúde, a trombose pode atingir pessoas de diferentes idades, desmistificando a ideia de que o problema é exclusivamente de pessoas mais idosas ou hospitalizadas. Ainda, segundo o órgão, mulheres entre 20 e 40 anos podem apresentar maior incidência em razão da exposição a fatores de risco, como o uso de anticoncepcionais e a gestação.
A preocupação também está presente na assistência oferecida pelo SUS na Bahia. Em 2025, a Secretaria da Saúde do Estado ampliou o acesso à enoxaparina para gestantes e puérperas com risco de tromboembolismo venoso, incorporando o medicamento ao protocolo estadual para esse grupo específico. A medida contempla condições como trombofilia e outras situações relacionadas ao risco de eventos tromboembólicos.
Hormônios e risco de trombose: a escolha do tratamento importa
De acordo com a endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora nacional da pós-graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica, que na Bahia oferece a formação em Vitória da Conquista e Salvador, o risco pelo uso de hormônios não é igual para todos os tratamentos e depende de diferentes características: “O risco depende do hormônio, da dose, da via de administração e das características do paciente, por exemplo”, explica.
A maior preocupação está relacionada ao estrogênio administrado por via oral, presente em alguns anticoncepcionais combinados e utilizado em determinados tratamentos hormonais da menopausa. Isso, no entanto, não significa que o uso de hormônios seja contraindicado de forma geral. A decisão deve levar em conta o histórico e as condições de saúde de cada pessoa.
Segundo a médica Renata Bussuan, a forma como o hormônio é administrado também pode fazer diferença. Na terapia hormonal da menopausa, por exemplo, o estrogênio transdérmico, administrado por meio de gel ou adesivo, pode ser uma alternativa com menor risco tromboembólico para algumas mulheres, especialmente quando existem determinados fatores de risco. A escolha, porém, deve ser feita individualmente pelo médico. A especialista ainda dá outro exemplo da importância de individualizar o tratamento: “Já na reposição de testosterona, a preocupação é diferente. O tratamento pode aumentar o hematócrito, que corresponde à proporção de células vermelhas no sangue. Por isso, um paciente em tratamento precisa realizar acompanhamento médico e exames periódicos para avaliar possíveis alterações”, explica.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos.
Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.
Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023).
Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar.
Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br. Informações para Imprensa / Darana RP


