Trump se vangloria da própria trapaça e da FIFA contra a moralidade no futebol

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Após interferir no caso Balogun, presidente dos EUA publica vídeo gerado por IA ironizando a arbitragem e amplia controvérsia sobre influência política na Copa do Mundo

Trump e Gianni Infantino

Trump e Gianni Infantino. Crédito: Reuters

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a alimentar a maior polêmica da Copa do Mundo de 2026 ao publicar em suas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial em que o atacante Folarin Balogun aparece mostrando um cartão vermelho ao árbitro da partida. A publicação, em tom de deboche, ocorreu poucas horas depois da decisão inédita da FIFA de suspender a punição automática imposta ao jogador, permitindo sua escalação contra a Bélgica nas oitavas de final.

A publicação amplia a crise provocada pela intervenção direta de Trump junto ao presidente da FIFA, Gianni Infantino. Segundo revelou a Reuters, Trump telefonou pessoalmente para Infantino pedindo a revisão da expulsão de Balogun, e a entidade acabou suspendendo a aplicação da punição com base no artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA, embora mantivesse o cartão vermelho no registro do atleta por um período probatório de um ano.

O vídeo compartilhado por Trump, gerado por inteligência artificial, inverte os papéis da partida: em vez de receber o cartão vermelho do árbitro, Balogun aparece exibindo o cartão ao próprio juiz, numa clara ironia à decisão original da arbitragem. A postagem foi interpretada como uma comemoração pública da reviravolta obtida após a pressão política exercida pela Casa Branca.

A atitude reforçou as críticas de dirigentes, juristas esportivos e comentaristas que já vinham questionando a independência da FIFA. A decisão da entidade foi considerada sem precedentes por diversos observadores, sobretudo porque o regulamento da Copa prevê suspensão automática para jogadores expulsos por cartão vermelho direto. A Federação Belga de Futebol declarou estar “surpresa” com a medida e sustentou que ela contradiz tanto o Código Disciplinar da FIFA quanto o regulamento específico da competição.

Antes mesmo da publicação do vídeo, Trump já havia comemorado a decisão da FIFA em sua rede Truth Social, agradecendo à entidade por “corrigir uma grande injustiça”. A Casa Branca também celebrou a liberação de Balogun nas redes sociais, enquanto o técnico Mauricio Pochettino e jogadores da seleção norte-americana saudaram o retorno do atacante ao time.

O episódio, porém, extrapolou o debate esportivo. Para críticos da decisão, o fato de o próprio presidente dos Estados Unidos reivindicar publicamente o mérito pela mudança e, em seguida, ironizar a arbitragem com um vídeo de inteligência artificial reforça a percepção de que houve interferência política em um processo disciplinar que deveria ser conduzido com absoluta autonomia.

A controvérsia coloca a FIFA sob intensa pressão às vésperas do confronto entre Estados Unidos e Bélgica. Mais do que a classificação às quartas de final, o episódio reacendeu o debate sobre a igualdade de tratamento entre as seleções e sobre a credibilidade das regras que regem o futebol internacional. A combinação entre pressão política, flexibilização inédita de uma punição disciplinar e celebração pública da decisão pelo chefe de Estado do país-sede transformou o caso Balogun em um dos momentos mais controversos da história recente das Copas do Mundo.

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