TJ-BA decide desativar 33 comarcas do interior do estado: 3 são do extremo sul

Em 2011 o TJ-BA fechou 50 comarcas, o que teria deixado cerca de 655 mil pessoas sem acesso ao Poder Judiciário. Agora, o número sobe para 83 desativações

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As comarcas tinham baixa movimentação processual e foram desativadas por recomendação do Conselho Nacional de Justiça, com isso, os desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) decidiram aprovar, na manhã de quarta-feira (5/7), a desativação de 33 comarcas de cidades do interior do estado. De acordo com o órgão, a medida está alinhada com a Resolução 184/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece que os tribunais devem adotar providências para extinção, transformação ou transferência das unidades com baixa movimentação de processos nos últimos três anos.
Ainda segundo o órgão, a medida levou em conta critérios e questões técnicas como arrecadação judicial e despesas da comarca, bem como a distância entre as unidades que passarão a assumir o acervo processual e o número de servidores da antiga comarca. De acordo com a decisão, os servidores e os acervos de processos deverão ser unificados em até 60 dias.
As cidades que perderam de vez as comarcas judiciais foram Abaré, Acajutiba, Alcobaça, Angical, Aurelino Leal, Baixa Grande, Boa Nova, Boquira, Brejões, Brotas de Macaúbas, Conceição da Feira, Ibicuí, Ibirapitanga, Itagimirim, Itapebi, Itapitanga, Itiruçu, Jaguaripe, Jiquiriçá, Maraú, Milagres, Mucugê, Nova Canaã, Nova Fátima, Palmeiras, Paratinga, Pau Brasil, Presidente Dultra, Rio de Contas, Santa Luzia, São Gabriel, Serra Preta, Wanderley.
Algumas comarcas das cidades acimas já tinham sido agregadas à outras maiores, mas vinham mantendo suas estruturas. No entanto, o órgão explica que as comarcas desativadas poderão voltar a funcionar a qualquer tempo também por resolução do Tribunal Pleno. Além dessa medida, também foi decidido que as comarcas de Camamu, Castro Alves, Inhambupe, Itajuípe, Olindina, Pojuca e Uruçuca, que possuíam vara crime e cível, passam a ter uma vara única, sendo jurisdição plena.
OAB critica a decisão
Em junho deste ano, a Organização dos Advogados do Brasil (OAB) entrou com uma ação no Tribunal Regional Federal (TRF/1ª Região) contra o Estado e o TJ-BA para impedir o fechamento das comarcas. Segundo a OAB, em 2011 o TJ-BA fechou 50 comarcas, o que teria deixado cerca de 655 mil pessoas sem acesso ao Poder Judiciário. Agora, o número sobe para 83 desativações.
A vice-presidente da organização na Bahia, Ana Patrícia Dantas Leão, disse que a decisão tomada hoje pelo órgão é de caráter administrativo e que não cabe solicitação de recurso contra a medida. A OAB aguarda a decisão de uma ação na Justiça Federal e espera que as desativações não ocorram pelo menos enquanto o resultado não sai.
“Socialmente há muitas consequências nisso e para a OAB quase todas são negativas. A retirada das comarcas faz com que a população precise se deslocar para as cidades das comarcas agregadoras e isso cria uma dificuldade no acesso à justiça. A solução de fechar é imediatista e os problemas vão continuar. É importante que o Estado veja que o poder judiciário é indispensável à população e que é necessário um plano maior”, argumentou.
Em março de 2015, o CNJ publicou uma nota em que dizia que a Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB) contestou o ato do TJ-BA que determinava a agregação de varas e comarcas de entrância inicial porque a medida acarretaria ainda no aumento da competência dos magistrados, no aumento da carga de trabalho e na necessidade de deslocamentos rodoviários de até 60 km para realização de audiências.
Aqui na região do Extremo Sul três comarcas deixarm de existir: Itapebi que já havia sido agregada a Itagimirim e agora Itagimirim passa para Eunápolis que automaticamente recebe as duas e Alcobaça que foi agragada a Prado.
Há temores de que numa próxima reforma sejam desativadas, ou fusão de outras comarcas daqui da região a exemplo de Mucuri com Nova Viçosa, ou vice-versa e ainda as de Itanhém e Ibirapuã sendo agregadas a de Medeiros Neto.
“Isso ocasiona prejuízos para nós servidores”, disse um servidor da Justiça que pediu pra omitir seu nome, sem falar nos investimentos que o próprio tribunal fez com construções e reformas em algumas dessas comarcas.

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