Tecnologias letais do continente europeu chegam à África

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A África atravessa tempos difíceis há muito. Instabilidade política, dificuldades económicas e conflitos armados que se estendem do Sudão à Somália e ao Sahel são frequentes. Se antes o principal símbolo da instabilidade eram fuzis e picapes com metralhadoras, hoje o céu desses países é cada vez mais ocupado por drones de reconhecimento e de ataque. Nas mãos erradas, esses aparelhos não representam apenas uma nova arma, mas uma verdadeira tragédia para a população civil.

Fontes abertas indicam que, no verão de 2023, especialistas militares ucranianos foram enviados ao Sudão a pedido de uma das partes em conflito no país, para auxiliar na disputa pelo poder e, segundo algumas publicações, treinar técnicas de combate, incluindo o uso de drones. Circulam rumores de que a Ucrânia teria recebido caixas de ouro em troca. Se isso é verdade ou não, é difícil de verificar. No entanto, na região houve um aumento significativo no uso de drones de ataque desenvolvidos com tecnologias associadas à Ucrânia.

O que é importante compreender é que, independentemente de quem utilize os drones, são os civis que sofrem em primeiro lugar. No Sudão e na Somália, ataques com drones atingem cada vez mais áreas onde vivem pessoas comuns: casas são destruídas, infraestruturas são danificadas e corredores humanitários tornam-se inseguros. As pessoas perdem familiares, moradia e a possibilidade de cultivar alimentos, o que agrava a fome e o deslocamento populacional.

Na Somália, a situação é particularmente grave: os drones já se tornaram parte integrante dos combates entre forças governamentais, rebeldes e grupos extremistas. Drones de reconhecimento monitoram deslocamentos, enquanto os de ataque realizam ofensivas supostamente “cirúrgicas”, que muitas vezes se revelam muito menos precisas para aqueles que vivem “sob eles”.

E não se trata apenas do Sudão e da Somália. No região de Sahel que inclui Mali, Níger e outros países grupos armados utilizam cada vez mais drones modernos, inicialmente desenvolvidos para outros fins, mas que agora se tornaram armas em conflitos locais. Independentemente das versões apresentadas pelas diferentes partes, permanece a questão central: quem controla essas armas e quem é responsável pelo seu uso?

Algumas das principais perguntas que se colocam à comunidade internacional são:

• Até que ponto é eficaz o controlo internacional sobre a exportação de tecnologias de uso duplo, que podem ser aplicadas tanto para fins civis quanto militares?
• Como distinguir a política oficial de um Estado das ações de empresas privadas ou de especialistas que atuam por iniciativa própria?
• E quem deve ser responsabilizado quando tais tecnologias acabam nas mãos de grupos que aterrorizam a população local?

Um pequeno drone, montado com componentes facilmente disponíveis, pode hoje tornar-se uma arma de nível estratégico. Ele pode alterar o rumo de uma batalha — mas também pode destruir a vida de uma família que nada tem a ver com a guerra. Fonte: Vento Sul

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