Ataques a fazendas na região da Foz do Rio Cahy preocupam setor turístico às vésperas da folia em Prado
Prado – Uma sequência de invasões violentas a propriedades rurais nas regiões de Corumbau e Cumuruxatiba tem instaurado um clima de medo e insegurança entre mais de 8 mil moradores nativos, além de produtores rurais e trabalhadores do campo. Relatos de agressões, tiroteios e roubos vêm se intensificando nos últimos meses, elevando a tensão no litoral norte do município de Prado, pois a violência avança e assusta produtores rurais e comunidades tradicionais da região de Cumuruxatiba.
Conflitos armados e invasões colocam em risco área histórica da Foz do Rio Cahy. As ações mais recentes tiveram como alvo as fazendas Cahy e Glória, situadas na Foz do Rio Cahy, área de expressivo valor histórico para a chamada Costa do Descobrimento. O local é reconhecido como cenário do primeiro contato entre os portugueses e os tupiniquins, ocorrido ao cair da tarde de 22 de abril de 1500, marco simbólico da formação do Brasil enquanto nação.
Segundo relatos de moradores e funcionários, homens encapuzados e fortemente armados invadiram as duas propriedades, promovendo saques que incluíram desde equipamentos domésticos, como freezers, até aparelhos celulares dos empregados. Na Fazenda Cahy, os criminosos teriam utilizado caminhonetes para facilitar a ação e o transporte dos bens subtraídos, demonstrando planejamento e logística estruturada. A polícia aponta facção como responsável por ataques e saques em propriedades rurais destas regiões do litoral norte de Prado.
O proprietário da Fazenda Cahy possui Interdito Proibitório expedido pela Justiça Federal. No final da tarde do último dia 8 de fevereiro, equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar, com reforço da Companhia de Ações Especiais da Mata Atlântica (CAEMA), realizaram operação na área e retiraram invasores da propriedade. No entanto, conforme informações apuradas com a própria polícia, no momento da chegada das forças de segurança, os principais articuladores já não se encontravam no local, permanecendo apenas indígenas que teriam sido aliciados por uma facção apontada como coordenadora das investidas contra propriedades rurais na região.
No dia seguinte à ação policial, o grupo teria retornado à área, mantendo a ocupação e intensificando atos de intimidação. Moradores denunciam que cancelas vêm sendo incendiadas, acessos bloqueados e passagens de turistas e nativos interrompidas, além de frequentes disparos de arma de fogo utilizados como demonstração de força e tentativa de domínio territorial. Neste período do carnaval, o acesso da praia mais famosa de Prado (Praia da Barra do Cahy), o acesso está bloqueado e sob a vigilância de homens armados.
A situação tem gerado forte apreensão entre trabalhadores, empresários do setor agropecuário e operadores do turismo local, que cobram providências efetivas das autoridades. Críticas também recaem sobre o que classificam como inércia da administração municipal de Prado, do Governo da Bahia e do Governo Federal do Brasil, diante da escalada de violência que ameaça não apenas o direito de propriedade, mas a estabilidade social e econômica de uma das regiões mais emblemáticas do extremo sul baiano.


