Preliminares da Psicanálise

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A vida é a grande mestra. Viver é uma eterna aprendizagem. (C. M. PERIN, PhD)
“… mesmo quando concordam entre si, os peritos podem estar enganados.”
A Competência ao Alcance de Todos – Peter, Lawrence J. – Ljoe – 1980
No dia 6 de maio de 2006, completaram-se 150 anos do nascimento de Freud. Sigmund Freud (Sigismund Schlomo Freud) era o primeiro dos oito filhos do comerciante de lã Kallamon Jacob Freud e de sua esposa, Amália.
Após formar-se em medicina na universidade de Viena, assume um posto no Hospital Geral de Viena, percorrendo todos os departamentos importantes da instituição nos três anos seguintes: o de medicina geral, o cirúrgico e o psiquiátrico. Nesta época, perturbações sem causa orgânica comprovadas eram consideradas suspeitas e, por certo, se deviam à imaginação ou fingimento dos pacientes.
O departamento de psiquiatria era dirigido na época por Theodor Meynert, neurocientista de renome mundial, representante da doutrina clínico-anatômica em voga entre neurologistas alemães. Durante sua estada nesse departamento, Freud se transforma em um especialista nessa área. Mas, sua carreira tomaria rumo bem diferente.
Graças a uma bolsa de estudos, viaja para Paris, permanecendo por seis meses no Salpêtrière, onde leciona o psiquiatra Jean Martin Charcot, que pesquisa o tratamento de uma síndrome muito ocorrida entre as mulheres: a chamada histeria. As pacientes sofrem de ataques de paralisia e distúrbios da fala, e se expressam de forma confusa e/ou apresentam súbita e intensa agitação física. O tratamento habitual de banhos terapêuticos e massagens, raras vezes, produz alguma melhora.
Carismático, Charcot utiliza a técnica da hipnose e sugestiona pela fala, desencadeando artificialmente os sintomas que – a seguir – no estado de vigília, manifestam-se de forma mais amena. Tal técnica manifesta certa curiosidade em Freud, que resolve adotá-la.