Um assunto delicado e polêmico – que envolve a segurança de motoristas e de outros no trânsito. A construção de veículos é um chão compacto, mas de repente fica movediço – o recall de veículos demanda um receio. A todo instante, aparece um aviso – o fabricante chama proprietários de veículos para revisá-los. É comum em jornais “Comunicado de recall” em que, em seguida, aparece o nome do fabricante ou de uma concessionária, com os dados do veículo (marca, modelo, potência, ano de fabricação, número de chassi etc.), e a chamada. Embora digam “Com essa atitude, (a empresa) procura demonstrar profundo respeito aos seus consumidores…”, pergunta-se: por que acontece? Justa ou não essa preocupação, veículos têm causado acidentes, com casos letais ou sequelas permanentes. Caso de se temer, que deixa a pergunta – o veículo não transmite segurança?
De quem é a culpa? Certamente, da pressa de fabricar, do gosto de vender, da visão de ganhar mais dinheiro – tome-lhe veículo e mais veículo nas ruas, não importando se causa(m) algum dano: insegurança, poluição ou morte.
A culpa, certamente, viria da incapacidade da mão de obra qualificada, embora se diga que todo funcionário do setor de acabamento do veículo é ‘especializado’. Na função de fixar um parafuso, com uma maquininha própria, fica apenas um sujeito – parecendo um filme de Charles Chaplin – que é para tornar o setor funcional e de alto rendimento.
Mas já se soube até do caso do cinto de segurança que apertava o tórax do motorista e/ou passageiro. O recall foi necessário, e resolveu o problema?
Enquanto isso, a imprudência reina, e mais acidentes com veículos em nossas estradas nem tanto trafegáveis, mesmo aquelas que estão em mãos privadas, com os altíssimos pedágios.
É que o automóvel gera puro frisson, traz status, e todos querem um. Por que se adquirir um veículo que vale mais de três milhões de reais? Isso é para quem tem dinheiro fácil, nascido de trabalho impuro… suspeito… pecaminoso, até perante a visão legal.
E surge o endinheirado que o adquire. O sujeito assim quer atrair admiradores, quer ser bajulado, e essa atitude já não se trata da necessidade de um veículo comum para o dia a dia do trabalho frutífero. Nesse, sofre o operário que paga altos tributos pelo seu meio de transporte e de condição de trabalho honesto.
Queremos, pois, que isso mude. Mas em nosso País, embora o fabricante tenha o cuidado com o recall, tememos resultados que levam a prejuízos outros.
Fujamos ao tema inicial: o que mais dói, por outro lado, são os incontáveis estacionamentos inadequados. As máquinas possantes impedem a passagem de transeuntes e o acesso de deficientes. E lá se vai um momento perdido, a causa de muito estresse no trânsito e no ir e vir do cidadão nas calçadas de cidades brasileiras.
Chama a atenção o caso em que a TV mostra um incauto (o ator) invadindo a pista do ciclista para se dizer dono do pedaço. E ele, teimoso, não arreda o pé – será que, para se mostrar o certo, se tenha que fazer o errado?
Se isso for legal, que bom seria um carroceiro estacionar seu burrico, com carroça e tudo, num acesso desses nas avenidas Marechal Castelo Branco e ACM, nesta Cidade, para ver se aparece o órgão do trânsito. Oh! Vai aparecer de imediato. Qual seria a reação do público – uma carroça com seu burrico o dia todo parada no lugar que dá acesso às pessoas?
A revolta é – a carroça não pode, mas o carro de alguém, de certa importância, pode.
Vamos esperar uma mudança nesse comportamento. Um recall nesse sentido.
Que haja o recall de boa chamada para consertar, não o erro no veículo, mas para corrigir o parafuso a menos na cabeça de quem estaciona em local assim. Se quiser ‘ver’ é só olhar.


