Esquema de descontos irregulares em aposentadorias atinge núcleo político, com prisões e afastamentos no Ministério da Previdência; entenda os desdobramentos da operação
A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação cumpre 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em estados como São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais, Maranhão e Distrito Federal.
Entre os alvos está o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, que teve mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços particulares. Um assessor parlamentar ligado a ele também é investigado. Além disso, o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal – ex-assessor de Weverton Rocha –, foi afastado do cargo e submetido a prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. A PF prendeu preventivamente Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025 por envolvimento no mesmo esquema.
De acordo com a PF, as ações visam aprofundar as investigações sobre crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação de patrimônio. As apurações indicam ligações entre investigados, incluindo encontros entre Weverton Rocha e o “Careca do INSS”, como um churrasco na residência do senador e reuniões no gabinete parlamentar para discutir pautas legislativas relacionadas à cannabis medicinal.
O esquema foi revelado na primeira fase da operação, em 23 de abril de 2025, quando investigações apontaram descontos irregulares mensais em benefícios do INSS, sem autorização dos beneficiários, entre 2019 e 2024. As entidades envolvidas simulavam filiações a associações que prometiam serviços como assistência jurídica, descontos em academias e planos de saúde, mas careciam de estrutura real para prestá-los. Ao todo, 11 entidades foram alvos iniciais, com contratos suspensos. As estimativas indicam prejuízos de até R$ 6,3 bilhões a milhões de aposentados e pensionistas, muitos idosos.
Na época da primeira fase, o então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão após a crise desencadeada pelas investigações. Ele foi substituído por Wolney Queiroz, atual titular da pasta.
O governo federal anunciou a devolução dos valores descontados indevidamente em parcela única, sem prioridades, e prorrogou o prazo para contestações até 14 de fevereiro de 2026. Os beneficiários podem contestar os descontos exclusivamente pelos canais oficiais:
- Aplicativo ou site Meu INSS, no serviço “Consultar Descontos de Entidades Associativas”;
- Central 135 (ligação gratuita, de segunda a sábado, das 7h às 22h);
- Agências dos Correios, com atendimento assistido e gratuito em mais de 5 mil unidades.
Essa nova fase representa um avanço sobre o chamado “núcleo político” do esquema, ampliando as apurações iniciadas com reportagens investigativas e fases anteriores que resultaram em prisões de operadores e afastamentos de servidores. Por Alan.Alex / Painel Político


