Páscoa, libertação…

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Desde a Quarta-Feira de Cinzas que os católicos vivenciam a Quaresma, período em que buscam a aproximação ao Senhor, a introspecção espiritual a fim de ter um encontro com Deus. O período quaresmal tem duração de quarenta dias, e terminará no Domingo de Páscoa, quando todos os cristãos comemoram a ressurreição de Jesus Cristo.
O vocábulo “páscoa” vem do hebraico “Pessach” e significa “passagem”. De acordo a história, “os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante o Pesah, data em que os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito. A palavra Páscoa advém, exatamente, do nome em hebraico da festa judaica à qual a Páscoa cristã está intimamente ligada, não só pelo sentido simbólico de ‘passagem’, comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no calendário”.
Como podemos ver, a páscoa, como uma série de outras festas cristãs, tem origem pagã, talvez, por isso, os interesses profanos sempre estejam tão intensamente presentes nelas, sobretudo os de ordem pecuniária. Ah! também pode ser porque, aliado a isso, tem o passado da Santa Amada Igreja, que perseguia e matava os que se opusessem a ela, que vendia até mesmo o feno da manjedoura do Menino Jesus para os alienados fieis, que era um dos três poderes que governava as Nações, por vezes sendo o mais influente deles. Tudo isso junto pode ter culminado no que vemos hoje: festas cristãs como o Natal e a Páscoa tornarem-se questões mercadológicas, econômicas, comerciais…
Hoje, a Igreja ainda tem forte influencia, só que apenas sobre seus fieis, ela não mais consegue interferir nas decisões importantes tomadas pelo Estado, que é soberano, ao contrário, atualmente, ela é omissa (infelizmente). Enquanto a igreja se cala quando deveria falar, o profano (numa referência a dicotomia divino/profano, o primeiro dentro do templo, o segundo, fora do templo) toma conta da população, enche a cabeça das pessoas de ideias consumistas e se aproveita de datas relevantes à maioria, que é cristã, para aumentar suas vendas.
Independente de crenças religiosas, a Páscoa é um momento de passagem, que devemos/devíamos celebrar a libertação, no entanto, o que vemos é o aprisionamento do homem pelo próprio homem. Não estou aqui para dizer “não comprem ovos de páscoa”, mas, para dividir com vocês uma realidade, almejando que se inspirem pelo real sentido da data (ressurreição de Cristo, libertação do povo judeu) e pensem mais uns nos outros, amem o próximo, como Deus mandou.