Ex-ministro teria usado prestígio e imagem pública para chancelar investimentos suspeitos da OnilX

Paulo Guedes – 06/10/2022. Crédito: REUTERS/Ueslei Marcelino.
247 – O ex-ministro da Economia da gestão Jair Bolsonaro (PL), Paulo Guedes, exercia a função central de assegurar a fiabilidade das atividades do grupo OnilX, aponta investigação conduzida pela Polícia Federal sobre graves infrações contra o sistema financeiro nacional, informa Tácio Lorran, do Metrópoles. O inquérito policial, instaurado no dia 10 de fevereiro deste ano e processado sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, apura a conduta de doze indivíduos, incluindo o proprietário da firma, Fábio Lino, e o próprio economista.
O cerne das atenções policiais mira os negócios promovidos por Fábio Lino. No entanto, a apuração atinge diretamente Paulo Guedes pelo estabelecimento de um hipotético contrato de publicidade com a empresa. De acordo com as investigações, a estrutura corporativa utilizava deliberadamente a contratação do ex-ministro a título de consultoria técnica como uma engrenagem de convencimento, apelando ao seu renome público para validar as captações financeiras perante os aportadores.
As provas colhidas revelam que a atuação de Guedes extrapolava a elaboração de pareceres reservados. O economista integrava encontros de alinhamento corporativo, recebia pessoalmente potenciais parceiros para tratativas confidenciais e cedia seus direitos de imagem para campanhas de divulgação comercial do grupo. Em informe promocional assinado pela própria OnilX, o ex-membro do Primeiro Escalão aparece ao lado do dono da empresa e de representantes da bandeira Visa durante sessão classificada como de “alta relevância estratégica”, ocasião em que foi apresentado formalmente como a figura responsável por imprimir “suporte e visão” aos projetos.
A presença do ex-titular da Economia figura inclusive nas petições impetradas pelas vítimas lesadas. Diálogos resgatados em disputas judiciais mostram que representantes da OnilX ofereciam acesso direto ao ex-ministro como atrativo decisivo para o fechamento de negociações milionárias. Em uma das abordagens, a equipe de vendas sustentava explicitamente que o economista “tá dentro da empresa” e prometia agendar uma reunião presencial com ele para traçar planos operacionais aos clientes interessados em aportar volumes entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.
Até o momento, foram identificadas 108 contestações cíveis protocoladas contra o conglomerado entre os dias 12 de junho e 10 de setembro. Investidores relatam o bloqueio indevido de haveres aplicados em ativos virtuais e moedas pareadas, levantando fortes suspeitas da estruturação de uma pirâmide financeira sob a promessa de “alta liquidez”. A companhia nega irregularidades e defende a lisura de suas transações digitais.
As movimentações do grupo já haviam motivado a expedição de uma ordem de paralisação por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no início do ano por veiculação irregular de ativos mobiliários. O grupo acumula mais de cem litígios que tramitam pelas comarcas estaduais do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará.
A defesa de Paulo Guedes está sob o comando dos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também exercem a representação de Fábio Lino no mesmo inquérito. Acionados pelo Metrópoles para prestar esclarecimentos, os juristas não enviaram declarações.


