OURO NEGRO AMEAÇA A AMAZÔNIA – 20% das novas reservas mundiais de petróleo estão na região

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Em meio à crise climática global, gigantes do petróleo e governos sul-americanos aceleram corrida pela exploração do último santuário verde do planeta, colocando em risco territórios indígenas

A Amazônia emerge como o novo eldorado da indústria petrolífera global, com uma descoberta alarmante: quase um quinto das reservas mundiais de petróleo identificadas entre 2022 e 2024 está concentrada na região amazônica, principalmente na costa da Guiana e do Suriname. São aproximadamente 5,3 bilhões dos 25 bilhões de barris equivalentes de petróleo (beps) descobertos no mundo nos últimos dois anos, segundo dados do Global Energy Monitor (GEM).

O cenário atual revela uma expansão sem precedentes: 794 blocos delimitados para a exploração de petróleo e gás natural, dos quais 70% ainda estão em fase de estudo. A única exceção é a Guiana Francesa, que proibiu contratos de exploração desde 2017.

A nova fronteira exploratória representa uma ameaça direta a um patrimônio ambiental crucial para o equilíbrio climático do planeta. Um levantamento detalhado mostra que 81 blocos já concedidos se sobrepõem a 441 Terras Indígenas, enquanto outros 38 afetam 61 Unidades de Conservação. O cenário é ainda mais preocupante quando se considera as áreas em fase de estudo ou oferta: 114 blocos em Terras Indígenas e 58 em áreas naturais protegidas.

Impactos e conflitos

O histórico da exploração petrolífera na região é marcado por desastres ambientais e conflitos sociais. Grandes vazamentos de petróleo no Equador, Peru e Colômbia deixaram cicatrizes profundas no bioma. A queima de gás fóssil nos campos de produção continua afetando a saúde das populações locais, que permanecem sem acesso a serviços básicos.

“Não adianta falar em desenvolvimento sustentável se a gente segue explorando petróleo”, afirma o líder indígena guianense Mario Hastings, destacando a necessidade de uma mudança real que inclua as comunidades indígenas e respeite seus direitos.

O caso brasileiro

No Brasil, a nova fronteira exploratória concentra-se principalmente no mar. As bacias da foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Barreirinhas, no litoral maranhense, já possuem áreas concedidas ou em estudo. A Petrobras aguarda licença do IBAMA para perfurar um poço exploratório no bloco FZA-M-59, considerado estratégico para a abertura de novas explorações na região.

Luiz Afonso Rosário, da 350.org Brasil, alerta: “Vão rasgar a Amazônia com mais infraestrutura para privilegiar a indústria fóssil. Deveríamos estar investindo em energias renováveis”. Por Alan.Alex / Painel Político

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