O DIA DAS MÃES versus O CONSUMISMO

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O que devemos pensar a respeito? O principal é o fato de que as mães, como sempre, merecem o maior respeito, a maior consideração – sem atitudes melosas, mas o consumismo, da forma como vem acontecendo, deve ser repudiado. Por quê?

 

Porque as mães, todas, precisam de afetos. As mães merecem mais carinho, e estão simplesmente recebendo o lado material das coisas. Meramente, a maioria considera que o respeito às mães é o ato banal de lhes dar um presente comprado em qualquer esquina. Exagero ou não deste colunista, mas é fato que o consumismo, no Dias das Mães, está superando qualquer atitude afetiva. O ‘presente’ tornou-se um lugar-comum.

 

Vê-se uma multidão – desenfreada e frenética – atropelando a todos, nas calçadas – à procura de um mero presente para suas mães. E em casa, como é?

 

Como foi durante o ano? Foi-lhe dado o carinho cotidiano, passo a passo, com o respeito devido? Talvez, o filho, um de cara emburrada, que costuma ter atitudes grosseiras – o ano inteiro sem dar atenção à sua querida genitora – no dia dela, agora para compensar os erros, as grosserias, venha a dar-lhe um presente moderno, um aparelhinho qualquer para colocá-la inteirada com as redes sociais.

 

O que é isso, companheiro?

 

Quer dizer que uma mãe não merece um presente? Não, não é isso! A mãe merece todos os presentes ao alcance do poder aquisitivo de seu filho, mas a mãe é digna, em primeiro lugar, de afeto, de carinho. Pelo que se sabe, pelo que se lê, modernamente, há mães, já velhinhas, abandonadas em asilos – chamados os cantinhos dos idosos. Os filhões, que viajam mundo afora, não aparecem lá. E talvez queiram justificar que antes lhes deram muitos presentes, como está ocorrendo agora, como ocorreu nesse domingo. De que valeram esses presentes? Eles valem mais que o lado afetivo?

 

Não se viu um filho na rua acompanhada de sua mãe, demonstrando-lhe atitudes afetivas. Aliás, vê-se um ou outro, talvez, um neto, gritando “Bora, vó, tá demorando demais!”

 

Isso é carinho?

 

E aquele que vai à frente, e a senhora, mãe ou avó dele, vem bem atrás, lenta, e ele fazendo gestos e balbuciando termos ‘inaudíveis’. O que é isso?

 

Depois que o presente for dado a essa senhora, tudo está correto?

 

É digna a homenagem às mães no seu dia. Mas o presente, acredite!, é coisa pequena diante do carinho que ela merece, é coisa ínfima diante do mérito de seu trabalho em criar o seu rebento, que, embora desejado, deu trabalho.

 

Essa data, como é sabido, surgiu do massacre a mulheres americanas, a maioria negras, há priscas eras, vítimas da estupidez de empresários gananciosos, usurários, que talvez não ‘tivessem mães’.

O que eles mereceriam?

 

Por isso, vem-se dizer neste artigo que o consumismo não supera qualquer atitude bondosa, plena de gentileza. O vaivém da rua, véspera do Dia das Mães, mostra um frenesi voltado para o materialismo. Será que é bom para o comércio? Dizem que sim, mas somente essa data é destaque?

 

Suscita-se um debate – não é somente o presente que tem valor, como se entende, diante do que está acontecendo. Tanto é verdade, que se vê um filho que não possa ofertar ‘um carrão’ à sua mamãe, que nem sabe dirigir, mas é criticado pelo amigo vizinho que deu uma bicicleta à sua mãe, presente que vai ficar encostado o resto da vida no fundo da casa.

 

Isso é atenção? Talvez, esse seja o fim da maioria dos presentes.

 

Condena-se essa atitude desenfreada de se correr ao comércio para homenagear as mães. A homenagem está no cotidiano, dentro de casa, de modo que o presente é que seja ínfimo diante da atenção dada a ela durante seus dias.

 

Conhece-se caso que a mãe, com quem o filho não mora, fica dias sem ser visitada, e agora, ele, pomposo e elegante, ao lado de uma ninfeta, aparece ‘por um minuto’ para dar um presente à sua mãe, coitada, esquecida!

 

“Tchau, mãe!, tenho que ir ali!”, e some. Foi apenas para um bar beber. E, se precisa viajar, traz a filhinha para a mãe cuidar – a vovó deve estar sempre sorridente para cuidar de seus netos ‘desamparados’. Não concorda? Faça o levantamento de quantos netos residem com os avós neste País, e verá a confirmação desta versão.

 

De quem é a culpa? Da propaganda? Da nossa visão materialista? Mudamos o comportamento e, a partir deste século, consideramos que o material substitui o afetivo?

 

Pense nisso!