Moro sobre exoneração de indigenista: “Não tenho nenhuma responsabilidade”

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Bruno Pereira, indigenista desaparecido na Amazônia, foi exonerado da Funai em 2019 quando Moro era ministro da Justiça. Funai é subordinada à pasta

 (crédito: Reprodução/Instagram)
(crédito: Reprodução/Instagram)

O ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) afirmou nesta terça-feira (14/6) que “não tem nenhuma responsabilidade” pela exoneração do indigenista Bruno Pereira da Fundação Nacional do Índio (Funai) em 2019. Bruno está desaparecido na região do Vale do Javari, no Amazonas, desde 5 de julho, junto com o jornalista britânico Dom Phillips.

“Eu era ministro da Justiça, e a Funai era um dos órgãos subordinados. Essa decisão não passou por mim”, disse o ex-juiz em coletiva de imprensa nesta manhã, defendendo ainda que os órgãos subordinados ao ministério tinham autonomia em suas decisões. Em evento no Paraná, Moro anunciou que será candidato no Paraná, mas ainda não definiu a que cargo.

O ex-juiz foi questionado, em coletiva após o evento, sobre a exoneração de Bruno Pereira. Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), o indigenista foi demitido em outubro de 2019 da Funai sem qualquer tipo de justificativa interna, após coordenar uma operação que expulsou garimpeiros da terra indígena Yanomami, em Roraima.

“Espero realmente que eles sejam encontrados com vida. Minha solidariedade à família. Eu acho que é um evento trágico, e espero que os responsáveis sejam encontrados e punidos. Infelizmente isso não traz de volta as pessoas, mas é uma resposta que o governo brasileiro tem que ter”, disse ainda Moro.

O ex-juiz criticou o “aumento do crime organizado” na região amazônica e disse estar conversando sobre essa questão com seu partido para criar um plano de segurança pública específico para a região, “em decorrência de sua peculiaridade”.

Futuro decidido “pela população paranaense”

No evento desta terça-feira Moro afirmou que seu futuro político no Paraná será decidido “pela população paranaense”, e pelo seu partido, o União Brasil. Ele anunciou ainda que iniciará viagens pelas cidades do estado para “reconectar-me de uma maneira mais profunda com os anseios da população paranaense”.

“No fundo, o meu objetivo primário agora é circular o Paraná, me reconectar com o povo paraense, e essa decisão [sobre o cargo] vai ser tomada adiante juntamente com o União Brasil, tanto com o nacional como com o União Brasil do Paraná. Acima de tudo, quem vai decidir isso é a população paranaense”, reforçou.

Estavam presentes ainda no evento os deputados federais Felipe Francischini (União-PR) e Bozella (União-SP), além da senadora Soraya Thronicke (União-MS) e o presidente nacional do partido e pré-candidato ao Planalto, o deputado federal Luciano Bivar (União-PE).

No dia 7 de julho, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou o pedido de transferência de domicílio eleitoral de Sergio Moro de Curitiba, Paraná, para a capital paulista. Segundo Moro, o pedido de transferência ocorreu a pedido do União Brasil, por um “projeto nacional de resistência”.

“Quis o destino que o TRE decidisse de maneira diferente, e eu voltei aqui ao Paraná. Discordo da decisão, mas eu respeito as instituições. Não sou aquela pessoa que ataca as instituições”, disse Moro, defendendo ainda que “tem os seus vínculos” em São Paulo. Sua esposa, Rosângela Moro, manteve o domicílio eleitoral da capital paulista e concorrerá à Câmara dos Deputados pelo estado.

“Contem comigo sempre para ser lutador. Não vou desistir, e nada vai me deter nessa busca de transformar o Brasil e fazer história novamente a partir daqui do Paraná”, afirmou o ex-juiz. Por Victor Correia / Correio Braziliense

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