Haddad diz que ‘crime organizado requer resposta organizada’ e afirma que operação desta quinta ‘desmantela refinaria do crime’

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Ministro da Fazenda destaca ação coordenada e sucesso da operação contra a infiltração do PCC no setor de combustíveis

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad - 10/07/2025
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 10/07/2025 (Foto: REUTERS / Mateus Bonomi)
Conteúdo postado por Guilherme Levorato:
247 – Em uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 28 de agosto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou a importância da ação integrada entre diversas forças de segurança no combate ao crime organizado no Brasil. A operação, que faz parte de um esforço nacional de combate ao PCC e seus tentáculos no mercado de combustíveis, foi elogiada por sua coordenação e sofisticação.

“Contra o crime organizado, é necessário uma resposta organizada. O crime se sofisticou, e, para enfrentá-lo, o Estado precisa responder de maneira igualmente sofisticada”, afirmou Haddad. Ele destacou o papel essencial da Receita Federal na fiscalização e investigação das fraudes financeiras utilizadas pelo crime organizado, enfatizando a necessidade de inteligência fiscal para entender o complexo caminho do dinheiro ilícito.

A operação, que envolveu mais de mil agentes da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e outros órgãos de segurança, teve como foco desarticular a infiltração do PCC em setores estratégicos da economia, especialmente o mercado de combustíveis. Segundo o ministro, a ação identificou e bloqueou fraudes que envolviam desde adulteração de combustíveis até a utilização de fundos financeiros complexos para lavar dinheiro.

“Hoje, conseguimos desmantelar uma verdadeira refinaria do crime”, disse Haddad, referindo-se à descoberta de um esquema criminoso que operava de forma capilar, com mais de mil postos de gasolina, quatro refinarias e centenas de caminhões envolvidos no transporte de combustíveis adulterados. O esquema, segundo as autoridades, também incluía importação fraudulenta de metanol e outros insumos, além de manipulação do mercado financeiro através de fundos de investimento e fintechs.

O ministro destacou ainda que a operação foi possível graças à criação, em 2023, de uma equipe dedicada exclusivamente ao combate a fraudes estruturadas, no âmbito da Receita Federal. “Com essa equipe especializada, conseguimos desvendar mecanismos financeiros sofisticados usados pelo crime organizado”, afirmou. Ele detalhou que, ao longo dos últimos quatro anos, mais de R$ 52 bilhões transitados por fundos criminosos foram investigados, e que os bloqueios de ativos já somam mais de R$ 1,4 bilhão.

Além disso, Haddad enfatizou a importância de um esforço coordenado entre os estados e o governo federal para alcançar resultados mais eficazes. “O sucesso dessa operação é fruto de um trabalho conjunto, que envolveu mais de 350 auditores fiscais da Receita Federal, além de policiais federais, civis e militares”, explicou. Ele também destacou a relevância da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança, que visa institucionalizar essa coordenação no combate ao crime organizado, tornando-a uma política de Estado permanente.

A operação “Carbono Oculto”, como foi chamada, envolveu investigações e mandados de busca e apreensão em oito estados, além de ações direcionadas a desmantelar a rede criminosa que controla o setor de combustíveis. Os alvos foram mais de 350 pessoas e empresas suspeitas de fraudes que violavam a ordem econômica e prejudicavam o consumidor, como o uso de bombas adulteradas em postos de combustíveis.

Haddad concluiu sua fala afirmando que esta operação representa um novo modelo de combate ao crime organizado no Brasil, com ações coordenadas que envolvem diversos órgãos governamentais e que visam atingir as camadas mais altas do sistema criminoso. “Estamos criando um modelo de trabalho que pode trazer esperança para o povo brasileiro, pois a resposta contra o crime organizado será cada vez mais forte e eficaz”, finalizou o ministro.

A operação, considerada uma das maiores do país em termos de cooperação institucional, também é vista como um passo importante para intensificar o combate ao crime em um nível nacional, quebrando o ciclo de impunidade e dificultando a atuação de facções criminosas no Brasil.

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