Gravidez na adolescência: um problema nacional

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A questão da gravidez na adolescência no Brasil é uma verdadeira epidemia e, segundo fontes do Ministério da Saúde, cresceu cerca de 55% nos últimos sete anos.

Para a Organização Panamericana de Saúde, o aumento do número de filhos de mães menores de 15 anos de idade se deve ao fato de que “o conhecimento sobre a relação sexual livre se difunde mais rapidamente entre os adolescentes, que o conhecimento sobre os efeitos biológicos e psicológicos adversos da gravidez nessa idade, tanto para a mãe quanto para o filho.’’

Os especialistas no assunto lembram que a gravidez na adolescência implica que a jovem mãe altere profundamente sua rotina de vida, e está aí a maior implicação psicológica. Que, aliada às várias alterações fisiológicas que seu corpo estará sofrendo para se adaptar à gravidez, poderá causar uma variação de estados emocionais que vão desde a simples tristeza, passando pela depressão e chegando mesmo a casos de suicídio. Suicídios cuja taxa é maior nas adolescentes grávidas em comparação com outras parcelas da população.

Psicologicamente falando, é comum que a gestante adolescente sinta um desamparo e uma melancolia persistente. Vitimada por problemas de autoconfiança e de autoestima. Apresenta dificuldades de concentração e grande confusão mental ao tomar suas decisões. O sentimento de culpa a invade. Assim como a desesperança, o desamparo, a solidão, a inutilidade. A ideia do aborto passa, quase sempre, pela cabeça.  Grande parte das famílias a vê como única culpada de seu estado, não lhe dando o devido apoio e colocando-a em uma situação de sério risco para a saúde.

A depressão que já atinge, em sua maior parte, as mulheres e os jovens encontra na mãe adolescente uma vítima em potencial. Gerando além dos excessos de choro, possíveis atitudes agressivas. Que levam, quase sempre, à tristeza do isolamento. Os sinais de tais estados são a desatenção com o próprio corpo e o descontrole do peso (para mais ou para menos) com implicações diretas sobre a saúde. No tocante à educação, há interrupção, temporária ou definitiva, no processo de educação formal que acarretará prejuízo em sua qualidade de vida e nas oportunidades futuras, criando, como consequência, diversas implicações sociais e econômicas.

Estatisticamente, o pai da criança da adolescente, geralmente, é de 3 a 4 anos mais velho que a jovem e apresenta uma situação financeira muito pouco favorável, sendo praticamente incapaz de sozinho manter a mãe e a criança. Fato que gera ainda mais atritos na delicada relação do casal.

Como a família é considerada a base das sociedades ocidentais, essa gestante muito provavelmente será a origem de uma futura família desestruturada e que, sem a maturidade adequada para a consolidação de suas bases, fará parte do número de desempregados, pobres e sem perspectivas para o futuro.

Vivenciada no corpo da jovem, a gravidez precoce não é apenas um problema individual, mas uma questão social que acarreta desestruturação e péssimas condições de vida para ela e para o bebê quase sempre bastante conflitantes com a dignidade humana. Nesse sentido, a escola é uma importante ferramenta para conscientização e esclarecimentos, bem como as diversas unidades de saúde (atualmente em cada bairro) sem, contudo, deixar de lembrar o papel da mídia que, nos dias de hoje, torna o corpo da mulher um objeto para se vender de tudo (carro, cerveja, roupa) e pouco ou quase nada faz para conscientizar e promover uma educação sexual saudável.