Empresário criou a companhia aérea em 2001, liderou a adoção do modelo de baixo custo no Brasil e enfrentava há anos um câncer

A informação foi divulgada inicialmente pelo g1, que noticiou a morte do executivo responsável por uma das maiores transformações no mercado de aviação comercial do país ao introduzir o modelo de “baixo custo, baixa tarifa” no Brasil.
Constantino Júnior fundou a Gol em 2001 e assumiu o cargo de primeiro CEO da companhia aérea, liderando o início das operações e a rápida expansão no mercado nacional. Sob sua gestão, a empresa se consolidou como uma das principais do setor, com forte impacto na democratização do transporte aéreo no país.
Antes de criar a Gol, o empresário atuou entre 1994 e 2000 como diretor da Comporte Participações, grupo controlador de diversas empresas de transporte terrestre de passageiros. A experiência no setor de mobilidade foi decisiva para a construção do modelo de negócios que marcou a atuação da companhia aérea desde sua origem.
Em 2004, Constantino passou a integrar o Conselho de Administração da Gol, acumulando a função com o cargo de CEO até 2012. Naquele ano, deixou a gestão executiva e assumiu a presidência do conselho, posição que ocupava até hoje. Além da atuação na Gol, era membro do Conselho de Administração e um dos fundadores do Grupo ABRA, holding internacional do setor aéreo.
Em nota oficial, a Gol Linhas Aéreas manifestou pesar pela morte de seu fundador e destacou a importância de sua trajetória. “Há 25 anos, Júnior e a família Constantino deram início à trajetória da mais brasileira das companhias aéreas”, afirmou a empresa, ressaltando que a companhia nasceu “com uma visão empreendedora e valores sólidos”.
A empresa também destacou o legado deixado pelo executivo. Segundo a nota, “sua liderança, sua visão estratégica e, sobretudo, seu jeito simples, humano, inteligente e próximo deixaram marcas profundas em nossa cultura”. A Gol afirmou ainda que os princípios estabelecidos por seu fundador “seguem vivos na GOL e continuam transformando a aviação no Brasil”.
Ao longo da carreira, Constantino Júnior recebeu diversos reconhecimentos por sua atuação executiva. Entre eles, foi eleito “Executivo de Valor” em 2001 e 2002 pelo jornal Valor Econômico, “Executivo Líder” no setor de logística em 2003 pela Gazeta Mercantil e, em 2008, recebeu o título de “Executivo Ilustre” na categoria Transporte Aéreo pela premiação GALA, patrocinada pela IATA.
Além da aviação, Constantino Júnior era entusiasta do automobilismo e chegou a competir na Porsche Cup. Sua morte encerra uma trajetória marcada pelo empreendedorismo e por um papel central na modernização do transporte aéreo brasileiro.


