Fenômenos mediúnicos que antecederam a codificação: fenômenos de Hydesville

610

Dando continuidade à proposta lançada no início desse ano, em que utilizaremos esse espaço semanalmente para aprofundar nossos estudos sobre a Doutrina Espírita, seguindo o material do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita produzido pela Federação Espírita Brasileira, trazemos hoje aos leitores o estudo de dois fenômenos que prepararam a vinda do Espiritismo para a Terra. O primeiro será os fenômenos de Hydesville.
“Em meados do século XIX, surgiram na América fenômenos que, pelo caráter ostensivo e intencional, causaram forte impacto na opinião pública, em geral, com ressonância no mundo intelectual da época: os fenômenos de Hydesville, que, ao lado das mesas girantes, contribuiriam efetivamente para o surgimento do Espiritismo.
Os fenômenos de Hydesville surgem em 1847, quando a casa [uma tosca cabana] de um certo John Fox e sua mulher Margareth, residente em Hydesville, pequena cidade do Estado de New York, foi perturbada por estranhas manifestações; ruídos inexplicáveis faziam-se ouvir com tal intensidade que essa família não pôde mais repousar.
Apesar das mais numerosas pesquisas, não se pôde encontrar o autor dessa bulha insólita. Logo, porém, se notou que a causa produtora parecia ser inteligente.
As filhas do casal Fox, Margareth e Kate, e ainda a mais velha, Lia, casada, eram médiuns. Kate, de 11 anos, no dia 31 de março de 1848, quando as pancadas (em inglês chamadas raps) se tornaram mais persistentes e fortes, resolveu desafiar o mistério, travando-se um diálogo com o que todos julgavam fosse o diabo:
— Senhor Pé-rachado, faça o que eu faço, batendo palmas. Imediatamente se ouviram pancadas, em número igual ao das palmas. A sra. Margareth, animada, disse, por sua vez:
— Agora, faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro.
Logo se fizeram ouvir as pancadas correspondentes.
— É um espírito? Perguntou, em seguida. Se for, dê duas batidas. A resposta, afirmativa, não se fez esperar.
— Se for um espírito assassinado, dê duas batidas. Foi assassinado nesta casa?
Duas pancadas estrepitosas se fizeram ouvir. Chamados os vizinhos, estes foram testemunhas dos mesmos fenômenos. Todos os meios de vigilância foram postos em ação para a descoberta do invisível batedor, mas o inquérito da família e o de toda a vizinhança foi inútil. Não se pôde descobrir a causa real daquelas singulares manifestações.
As experiências seguiram-se, numerosas e precisas. Os curiosos, atraídos por esses fenômenos novos, não se contentaram mais com perguntas e respostas. Um deles, chamado Isaac Post, teve a ideia de nomear em voz alta as letras do alfabeto, pedindo ao Espírito para bater uma pancada quando a letra entrasse na composição das palavras que quisesse fazer compreender. Desde esse dia, ficou descoberta a telegrafia espiritual; este processo é o que vemos aplicado nas mesas girantes.
Foi através desse processo — o uso do alfabeto na telegrafia espiritual — que os Espíritos enviaram mensagens reveladoras dos desígnios superiores, como esta a seguir:
“Caros amigos, deveis proclamar ao Mundo estas verdades. É a aurora de uma nova era; e não deveis tentar ocultá-la por mais tempo. Quando houverdes cumprido o vosso dever, Deus vos protegerá; e os bons Espíritos velarão por vós.”
Os Fox, vítimas da intolerância e do fanatismo dos conservadores da fé, resolveram, então, oferecer-se para mostrar publicamente os fenômenos à população reunida no Corynthian-Hall, o maior salão da cidade de Rochester. Essas apresentações, após passarem pelo exame rigoroso de três comissões, foram declaradas verdadeiras, e, como era de se esperar, grande foi o tumulto, com o quase linchamento das jovens Fox.
Mas, a perseguição traz, como consequência, o aumento do número de adeptos para as ideias que combate. Assim, poucos anos depois, já havia alguns milhares de seguidores do espiritualismo moderno nos Estados Unidos. Muita paz!