Falso médico que amputou perna de vítima em acidente na Dutra é denunciado ao MPF por apresentar diploma falso

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Falso médico é detido em Pindamonhangaba; Polícia Civil e Cremesp investigam

Falso médico é detido em Pindamonhangaba; Polícia Civil e Cremesp investigam

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) denunciou o falso médico que amputou a perna de um paciente ao Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com o Cremesp, o homem tentou aplicar uma fraude ao pedir um registro médico ao Conselho com um falso diploma de medicina. O homem também é investigado pela Polícia Civil por exercício ilegal da profissão, mas segue em liberdade.

Gerson Lavísio atuava como médico no resgate da rodovia e passou a ser investigado nesta segunda-feira (14) depois de ser flagrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) com um CRM (registro profissional) falso, em nome de outro profissional. Na delegacia, segundo a Polícia Civil, ele confessou não ter formação médica.

Ele foi contratado pela Enseg, empresa terceirizada da CCR Rio-SP. Ao g1, a empresa disse que ele apresentou a foto do diploma e do pedido de abertura de registro no conselho, que ainda estava pendente. Sem o registro, ele já não poderia atuar, mas mesmo assim foi contratado.

Gerson Lavísio atuava como médico no resgate na via Dutra e passou a ser investigado depois de ser flagrado pela Polícia Rodoviária Federal com um CRM falso — Foto: André Bias/ TV Vanguarda

Gerson Lavísio atuava como médico no resgate na via Dutra e passou a ser investigado depois de ser flagrado pela Polícia Rodoviária Federal com um CRM falso — Foto: André Bias/ TV Vanguarda

Após a denúncia da PRF à polícia, o Cremesp foi acionado pela empresa e, ao analisar o pedido que havia sido feito em 9 de fevereiro, percebeu que o diploma era falso. Com isso, denunciou o homem ao MPF por tentar aplicar fraude para exercer a medicina.

A denúncia foi encaminhada nesta terça-feira (15). O MPF informou que o caso será distribuído a um procurador da República, que fará a análise preliminar dos fatos para determinar os próximos passos. Não há um prazo definido para a conclusão dessas etapas.

Além disso, o Conselho disse que também vai acionar o médico responsável pela empresa para prestar esclarecimentos sobre permitir a contratação do homem sem o registro. Uma apuração interna foi aberta e a empresa pode ser punida por infração da ética médica.

Investigação

A suspeita sobre o falso profissional começou quando atendia as vítimas de um acidente na rodovia em Lavrinhas neste domingo (13). Um engavetamento entre três caminhões deixou um motorista preso nas ferragens, um homem de 36 anos. Durante o atendimento, ele decidiu amputar a perna da vítima ainda na pista.

De acordo com a PRF, após a medida, a equipe técnica do resgate acionou os policiais por estranharem a decisão e a falta de técnica para o procedimento. A polícia então fez uma consulta sobre o médico e descobriu que ele apresentava um CRM cadastrado no nome de outro profissional e o levou à delegacia, onde confessou não ser médico.

Motorista fica preso em ferragens e tem perna amputada após acidente entre três caminhões na Via Dutra, em Lavrinhas — Foto: Polícia Rodoviária Federal

Motorista fica preso em ferragens e tem perna amputada após acidente entre três caminhões na Via Dutra, em Lavrinhas — Foto: Polícia Rodoviária Federal

Gerson atuava como médico de resgate contratado no modelo prestador de serviço para a Enseg, que é terceirizada da concessionária CCR SP-Rio. Ele alegava ter se formado em 2021 em uma universidade em São Paulo e que seu registro ainda estaria pendente.

A polícia registrou um boletim de exercício ilegal da profissão, mas o homem foi liberado após prestar depoimento. Ele assinou um tempo se comprometendo a comparecer na delegacia para prestar esclarecimentos.

O homem que teve a perna amputada é do Mato Grosso e está internado na Santa Casa de Lorena.

Antecedentes

O g1 apurou que essa não é a primeira vez que o homem tenta se passar por médico. Em 23 de dezembro, ele foi flagrado em uma unidade de atendimento em Parelheiros, na capital.

No boletim de ocorrência diz que ele foi contrato por uma empresa terceirizada de saúde e que o diretor clínico suspeitou quando passou a ver erros nas fichas médicas. Quando foi flagrado, ele já tinha atendido pelo menos 15 pessoas no plantão.

No dia, ele também apresentou um CRM de outro médico. Com isso, foi levado à delegacia, mas o caso foi registrado como exercício ilegal da profissão, que tem pena menor de dois anos e, por isso, não foi preso.

Ao longo de sua falsa trajetória médica, ele usou registros de dois profissionais diferentes, sempre apresentando diploma falso.

O que dizem concessionária e empresa responsável

O g1 procurou a concessionária que informou que “foi surpreendida com a notícia de exercício ilegal da profissão desempenhado por suposto médico e está prestando todas as informações às autoridades competentes”.

A Enseg disse em nota que “que recebeu toda documentação para o exercício profissional da função de médico, e pedido de inscrição junto ao Cremesp, aguardando deferimento. Isto posto, foi surpreendida com relação a denúncia da falta de habilitação do profissional para a função de médico”.

A reportagem questionou a empresa o motivo de, mesmo sabendo que ele não tinha registro, manter a contratação, mas não teve retorno. O g1 também acionou a empresa sobre a apuração do Cremesp, mas não teve retorno.

Na delegacia, a reportagem tentou conversar com o falso médico, mas ele se recusou. Por Poliana Casemiro, g1 Vale do Paraíba e Região

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