Expectativa de vida no Brasil chega ao maior nível da história e revela salto de 31 anos desde 1940

1

Dados do IBGE mostram avanço contínuo da longevidade, queda histórica da mortalidade infantil e desigualdades persistentes entre homens e mulheres

Idosos no Brasil (Foto: Agência Gov)

247 – A expectativa de vida dos brasileiros alcançou 76,6 anos em 2024, o maior nível da série histórica, segundo as Tábuas de Mortalidade 2024 divulgadas pelo IBGE. A informação foi publicada inicialmente pela Agência Gov, com base nos dados oficiais do instituto.

O novo indicador representa um aumento de 2,5 meses em relação a 2023 e consolida a recuperação após a forte queda provocada pela pandemia de Covid-19, que chegou a derrubar a expectativa para 72,8 anos em 2021. Entre os homens, o avanço foi de 73,1 para 73,3 anos; entre as mulheres, de 79,7 para 79,9 anos.

Ao longo de nove décadas, o salto é expressivo: quem nasceu em 1940 viveria, em média, 45,5 anos. Em 2024, esse número chegou a 76,6 anos — um aumento de 31,1 anos no período.

Brasil recupera trajetória de alta após impacto da pandemia

A pandemia de coronavírus interrompeu a tendência de crescimento contínuo da longevidade. Em 2021, auge da crise sanitária, a expectativa ao nascer caiu para 72,8 anos, refletindo o aumento de mortes no país.

Desde 2022, porém, o índice voltou a subir ano a ano, acompanhando o arrefecimento da crise sanitária. Mesmo com a retomada, o IBGE ressalta que mortes violentas — especialmente entre jovens homens — seguem reduzindo o potencial de crescimento da expectativa masculina no Brasil.

Desigualdade entre homens e mulheres permanece estável

Em 2024, a diferença entre a expectativa de vida de homens e mulheres ficou em 6,6 anos, a mesma registrada em 2023.

Embora ambos os grupos tenham avançado, os dados mostram que a sobremortalidade masculina permanece elevada sobretudo entre os adultos jovens. Entre 20 e 24 anos, um homem tem 4,1 vezes mais chance de não completar os 25 anos do que uma mulher da mesma idade, reflexo do peso de homicídios, acidentes de trânsito e outras causas externas.

O fenômeno, inexistente nos anos 1940, está associado ao processo de urbanização acelerada do país a partir dos anos 1980.

Queda da mortalidade infantil impulsiona ganho na longevidade

Um dos fatores mais decisivos para o aumento da expectativa de vida ao longo das décadas é a redução drástica da mortalidade infantil. Em 1940, a taxa era de 146,6 óbitos a cada mil nascidos vivos. Em 2024, o número caiu para 12,3 por mil, uma redução de 91,6%.

Entre os fatores que contribuíram para a queda estão:

  •  campanhas de vacinação em massa
  •  expansão do pré-natal
  •  aleitamento materno
  •  atuação dos agentes comunitários de saúde
  •  programas de nutrição infantil
  •  aumento de renda
  •  maior escolaridade da população
  •  ampliação do saneamento básico

A mortalidade entre crianças de 1 a 4 anos também despencou: de 76,7 por mil em 1940 para apenas 2,2 por mil em 2024, uma queda de mais de 97%.

Longevidade dos idosos cresce mais de 9 anos desde 1940

A expectativa de vida aos 60 anos também apresentou forte evolução nas últimas nove décadas. Em 1940, quem chegava a essa idade viveria, em média, mais 13,2 anos. Em 2024, esse número subiu para 22,6 anos — um aumento de 9,3 anos.

Entre os homens, a expectativa aos 60 anos passou de 11,6 para 20,8 anos. Entre as mulheres, de 14,5 para 24,2 anos.

Mesmo o impacto da Covid-19 sobre esse grupo, especialmente em 2020 e 2021, está sendo gradualmente revertido.

Para quem chega aos 80 anos, a esperança de vida também cresceu de forma expressiva: em 2024, as mulheres viveriam, em média, mais 9,5 anos, e os homens, mais 8,3 anos — quase o dobro dos valores registrados em 1940.

Brasil ainda distante dos países com maior longevidade

Embora tenha avançado de forma consistente, o Brasil ainda está distante dos países líderes no ranking global de expectativa de vida. Segundo o IBGE:

  •  Mônaco ocupa o topo, com 86,5 anos.
  •  San Marino, 85,8 anos.
  •  Hong Kong, 85,6 anos.
  •  Japão, 84,9 anos.
  •  Coreia do Sul, 84,4 anos.

Tábuas de Mortalidade orientam políticas previdenciárias

As Tábuas de Mortalidade 2024 integram a projeção da população brasileira para o período de 2000 a 2070. Elas são fundamentais para políticas públicas, servindo como base para o cálculo do fator previdenciário que influencia o valor das aposentadorias no Regime Geral de Previdência Social.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.