Imagens de reuniões privadas no sul da Bahia, que teriam capturado figuras do alto escalão dos Três Poderes, estão agora em posse das autoridades federais após liquidação da REAG DTVM
O cenário político e judiciário brasileiro acompanha com cautela os desdobramentos da liquidação da REAG DTVM, determinada pelo Banco Central no dia 15 de janeiro deste ano. Para além das questões fiscais e administrativas, o foco das atenções se voltou para o conteúdo de dispositivos eletrônicos apreendidos, que supostamente contêm registros audiovisuais de festas privadas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com relatos de um operador de fundos da instituição, as celebrações ocorriam em uma residência de veraneio em Trancoso, no litoral sul da Bahia. O acervo, apelidado informalmente nos bastidores de “Cine Trancoso”, teria sido registrado por um sofisticado sistema de câmeras de segurança discretamente instaladas em todos os cômodos da propriedade.
Participação de autoridades
Informações obtidas pela revista eletrônica Liberta, indicam que as imagens documentam a presença de altas autoridades dos Três Poderes da República. Embora não haja registros de integrantes do atual Poder Executivo, o material supostamente detalha a participação de membros do ministério da gestão de Jair Bolsonaro (PL), além de figuras de destaque do mercado financeiro e do meio jurídico.
Um dos pontos de maior tensão envolve a menção a um magistrado de alta relevância do Poder Judiciário. Segundo a fonte, o vídeo teria sido exibido em uma reunião de diretoria (board) da distribuidora de títulos, onde um executivo da REAG teria se referido ao personagem de forma coloquial como um “pica das galáxias” do setor jurídico.
Protocolos de segurança e custódia
O esquema de privacidade nas festas era rigoroso. Convidados eram compelidos a entregar seus aparelhos celulares, que permaneciam desligados e sob guarda da equipe de segurança. Em certos eventos, detectores de metais eram instalados nos acessos principais. No entanto, o sistema interno de monitoramento da casa — justificado oficialmente por questões de “segurança pessoal” — mantinha a captação ativa.
Atualmente, o aparelho celular de Daniel Vorcaro, que conteria este acervo, encontra-se retido. O dispositivo está sob custódia do Supremo Tribunal Federal (STF), após ações coordenadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF).
Posicionamento dos envolvidos
Procuradas para comentar a existência dos vídeos editados e o teor das reuniões em Trancoso, as assessorias jurídica e de imprensa de Daniel Vorcaro e do liquidado Banco Master optaram pelo silêncio. Até o fechamento desta edição, não houve qualquer ressalva ou desmentido formal sobre as informações publicadas pela coluna Reserva Exclusiva, da Liberta.
O impacto potencial dessas revelações é comparado, nos bastidores de Brasília, a grandes produções cinematográficas, dada a capacidade de gerar instabilidade institucional e política, dependendo do teor do que foi efetivamente registrado pelas lentes em Trancoso. Por Alan.Alex / Painel Político


