Educação brasileira: analfabetos e mestres

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Setenta e dois por cento do total de 774 milhões de adultos analfabetos no mundo estão em dez países, entre eles, o Brasil. A Índia encabeça a lista, com um total de 287 milhões, seguido da China e Paquistão. Nesse ranking, o nosso país ocupa a oitava posição.

Os dados constam no relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre as metas para melhorar a educação até 2015. Em 2000, 166 países assumiram o compromisso e, desde então, são monitorados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O documento, divulgado no final de janeiro deste ano, mostra avanços na área, mas aponta “lentidão nesse processo”. Na última década, o número de adultos analfabetos caiu apenas 1%. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) – 2012, o Brasil tem 13,2 milhões de pessoas, com 15 anos de idade ou mais, que não sabem ler.

Embora o Brasil apareça entre aqueles com maior população de analfabetos, iniciativas adotadas pelo governo são elogiadas no relatório da Unesco. É o caso, por exemplo, do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador de qualidade da educação básica no País.

Outra boa notícia é a de que a titulação de mestres e doutores formados pelas universidades brasileiras mais que quadruplicou nos últimos 15 anos (1996-2011). O contingente de pós-graduandos que, em 1996 era de 13.219, passou para 55.047 em 2011, crescimento de 312%, segundo levantamento realizado, em 2013, pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Entre os mestres o crescimento se deveu, em grande parte, como decorrente de aumento no número de cursos de mestrado oferecidos em instituições de ensino particulares, cuja participação na formação nacional cresceu de 13,3% em 1996 para 22,4% em 2009, quase empatando com as universidades estaduais, que contribuíram com 25%. Os avanços se devem também à implantação, em diversas regiões do País, de novas universidades e institutos de formação profissional nos últimos dez anos (2003-2013). Outro fator positivo foi a descentralização dos grupos de pesquisa da região Sudeste, resultando no crescimento de pesquisadores no Centro-Oeste, Sul e Nordeste.

Segundo o estudo do CGEE, o Brasil tem bom desempenho no tocante à diplomação de pesquisadores, quando comparado à China, Índia e Coreia do Sul, entre outros países, sejam mestres ou doutores, e na formação de grupos de pesquisa. No entanto, o Brasil está longe da média mundial, que é mais de mil pesquisadores para 1 milhão de habitantes. Segundo relatório da Unesco sobre Ciência 2010, o País contava, em 2007, com pouco mais de 500 pesquisadores por milhão de habitantes, realidade de um país de contrastes onde convivem lado a lado analfabetos e mestres.