DOM JAILTON LINO – UM GRANDE BISPO

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Em 04 de abril de 2025, Dom Jailton de Oliveira Lino, fez sua última celebração como Bispo da Diocese Teixeira de Freitas / Caravelas. Despediu-se de seu rebanho e partiu para a Diocese de Itabuna com a consciência tranquila de ter sido um bom pastor.

Quando Dom Jailton assumiu a Diocese, em 09 de fevereiro de 2018, sua estatura física chamou a atenção, muito alto. Quando nos deixou a sua estatura moral foi o que ficou como marca consolidada: Um gigante em sua capacidade de gestão, um legado indelével: Se descontarmos os dois anos da pandemia podemos fazer uma analogia, (bastante justa), com o desenvolvimentista Juscelino Kubistchek: O Episcopado dele equivaleu a “50 anos em 5”.

Importante ressaltar que no início se envolveu em uma grande polêmica: A casa do Bispo que havia sido construída no século passado estava bastante maltratada pelo tempo e bastante insalubre, precisando de reformas urgentes. Por outro lado, havia um imóvel da Diocese que havia se valorizado bastante devido a sua localização comercial e um empresário fez uma excelente proposta: Trocar a sua residência ampla e moderna pelo imóvel, reformar o imóvel da cúria e construir uma capela. A proposta foi levada para o Conselho Econômico da Diocese, que aprovou por unanimidade a permuta embasado por parecer técnico que apontava grande vantagem econômica/financeira, três avaliações imobiliárias dos imóveis envolvidos na proposta, e orçamentos para reforma da casa do Bispo que indicavam um alto valor que a Diocese não possuía em caixa.

Foi o que bastou para que se instalasse um descontentamento literalmente paroquiano, pois alguns membros da paróquia do local tinham um sentimento de posse do imóvel, como se deles fossem, e motivados por uma visão equivocada, onde criam que pelo fato da igreja fazer uma opção pelos pobres, o Bispo não poderia morar em uma casa moderna e espaçosa. Isto fez muitos fieis abastados e outros nem tanto, parassem de ajudar a igreja com doações tão necessárias para a obra do senhor. O que não foi exatamente um problema, haja vista que durante o seu bispado, Dom Jailton recorreu a seus amigos no Brasil e principalmente na Europa e conseguiu ao longo do tempo, doações na ordem de milhões de reais para a nossa Diocese.

Conseguiu tocar a obra da Catedral, promoveu reformas, adquiriu veículos para a cúria, para  padres e religiosas, reformou igrejas, o Centro Diocesano, o Seminário Propedêutico,  fez manutenção no Seminário Maior em Salvador,  em casas de religiosas, adquiriu terrenos para construção futura de novas igrejas, da casa para abrigar padres idosos e local de lazer, no litoral, para padres da Diocese e visitantes passarem férias, iniciou a construção da Casa da Caridade, projeto que terá uma importância impar em ajudar necessitados que precisam de apoio de toda ordem e encomendou um projeto para a construção de uma capela no Centro Diocesano, que certamente será objeto de visitação turística na cidade de tão graciosa e bela que será.

Ainda na sua gestão se livrou de dois hospitais deficitários transferindo-os para os municípios de Alcobaça e Mucuri, contratou advogado e contador para a Cúria, fazendo o que é o administrativamente certo, porque três são os profissionais imprescindíveis em qualquer organização: Contador para atender as obrigações técnicas/legais perante o fisco, advogado para o mister jurídico e principalmente para evitar a criação de todos os tipos de passivos legais possíveis e imagináveis, e gerente para fazer a ligação entre a alta gestão e a base operacional da organização, que no caso ainda falta, e que não poderá ser um padre porque terá que ter disponibilidade total para a função.

Um outro grande feito administrativo foi conseguir que a nossa Diocese sediasse o Tribunal Eclesiástico Interdiocesano, abarcando as Dioceses de Eunápolis e Itabuna, e financiar a instalação da sua sede que custou quase setecentos mil reais, recurso que o Tribunal devolverá a Diocese no seu devido tempo.

Mas a marca indelével que Dom Jailton deixa como legado não é a apenas a sua extraordinária capacidade administrativa proveniente da sua experiência como ecônomo no sul do país, função que exercia antes de ser Bispo e sim a sua sensibilidade para – administrar com pessoas – ao invés de administrar pessoas, o fino trato que dispensava a todos sem distinção, a capacidade de enxergar problemas sociais e sair da comodidade da Oração para a Ação, como vimos quando promoveu a Caminhada Ecumênica pela Paz que reuniu toda a sociedade e religiões em uma ação para deter a violência que assolava a região, bem como ações de cidadania para tornar a cidade mais limpa.

O que o fez grande foi o exercício fraterno de sua principal missão: Ser pastor de ovelhas. Em seu bispado ordenou vinte e sete padres, fortaleceu pastorais e movimentos, proporcionou formação superior para padres no Brasil e na Europa e formação para leigos em Teologia, mas, principalmente, se fez querido como um bom, atencioso e cuidadoso pai.

Deus deve gostar muito de Itabuna, uma vez que enviou para lá o nosso amado Dom Carlos e agora enviou o nosso também amado Dom Jailton.

Que Deus continue abençoando a vida deste grande líder e que nos envie outro Bom Pastor!

Por Antônio Ferreira dos Reis Neto. Advogado, integrante do Movimento de Cursilho de Cristandade – MCC

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