Por Uemerson Florencio*
Pare, hoje você pode ser refém dos seus medos e carências e desconhece. Ele é a principal base para a dependência emocional – O medo de dizer não ou de impor limites ao outro. O medo de sair de uma realidade e viver a segurança desejada, a partir da sua livre escolha, o que constitui o medo do futuro. Afinal, quem não busca, não encontra, quem não tenta, desconhece o resultado. Como você se enxerga hoje? Você se identifica refém de algum medo?
Você se sente depende emocional dentro de algum tipo de relacionamento familiar, amoroso ou profissional? Lembre-se: Quem não se esforça para alterar os padrões da sua uma realidade, fica preso dentro dela. Quantas vezes você se viu dentro de uma realidade desgastante e dolorosa? Porque você imagina que não sabia como dizer não?
O medo é uma das maiores prisões mentais na vida do ser humano, por este motivo, faça uma análise comportamental de si mesmo e tente identificar quais são as suas fraquezas. O que faz com que você dependa de alguém? De algum modo você pode viver alguma dependência emocional, mesmo porque, quando o medo toma conta da sua vida é porque faltou a confiança em si mesmo. Quem confia seguramente em si, vai se permitir a algum tipo de dominação?
A mente humana tem muitas inquietações que o próprio ser humano desconhece, mas quando ela se acomoda, respira a estagnação. A partir daí, podemos ver diversas pessoas que a relação já terminou, mas não conseguem ter uma atitude que lhe permita pôr um fim na situação. Podemos chamar esta ocorrência de síndrome da convivência – ou seja, é a convivência cômoda com o lugar e as pessoas, tóxicas ou não de um determinado tipo de relacionamento.
A convivência com a outra pessoa neste contexto de dependência emocional, representa também a manifestação das mais diversas carências em diferentes níveis. Elas estão associadas aos diversos hábitos, crenças, aspectos culturais vinculados a inúmeras memórias traumáticas profundas. Como enfrentar e se libertar desta realidade? Será por meio de uma fórmula pronta? Não existe uma fórmula, o que deve antes de tudo existir é o respeito a dignidade humana.
Não se entristeça, mas existem pessoas com padrões comportamentais tão anormais que demonstram conviver passivamente, até com seus próprios torturadores. São pessoas vítimas daqueles que praticam torturas psicológicas, exploram a sua vida financeira, cometem traições diversas, ou violentam fisicamente.
– Quantas pessoas vocês vieram a sua mente neste exato momento? Quantas delas são familiares e amigos seus? Qual é o seu estado emocional só em apenas lembrar desta triste realidade delas?
– Quem nunca viu alguém vítima de outra, mas que não se afasta ou não se separa por nada? Você sabia que existem travas emocionais que mantém esta pessoa dentro deste contexto e que não é fácil para ela se libertar?
– Quantas vezes você já disse: Se fosse eu já teria saído desse lugar ou me afastado? Onde fulana está com a cabeça que não enxerga a vida que leva? Será que também não tem as suas travas emocionais que geram diversos bloqueios que você desconhece? Será que seria realmente fácil para você?
– Quantos casais esfriaram ou enfraqueceram os laços da relação e querem a separação mentalmente ou até já vivem separados dentro dos seus relacionamentos, mas que não conseguem se separar de fato? Quais são as crenças silenciosas, memórias profundas e dilemas que levam a este cenário?
– Quantos filhos estão na casa dos pais e surgem oportunidades para garantir consideráveis mudanças em suas vidas e sob a alegação de que estão cuidando da família, permanecem dentro daquela mesma realidade? Será que querem de fato sair da casa dos pais ou está confortável viver a este modelo de vida?
A coragem é a base para a liberdade em qualquer situação, mas o medo é a maior prisão mental em muitos seres humanos. E, se tratando de relacionamento amoroso e/ou familiar, a maior base para o medo é a dependência emocional que geralmente desdobra-se em sintomas físicos dolorosos. Há quem não consiga realmente se enxergar sem aquela pessoa na vida dela, a ponto de renunciar a sua própria existência em função do outro.
*Uemerson Florêncio – Escritor. Treinador, palestrante e correspondente internacional onde expõe sobre a análise da linguagem corporal, gestão da imagem, reputação e crises.


