De quem é a culpa? (30 de novembro/2014)

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Por que jovens abandonam o curso na Faculdade?

 

Foram feitos vários levantamentos – ou ainda o são -, e a pesquisa indica que o jovem que abandonou o curso, fê-lo por que foi à Faculdade sem entusiasmo, ou quase nenhum.

 

Se o indivíduo não estiver imbuído do princípio da vontade, não estará apto a concluir sua tarefa. Sem o desejo nato, nada se consegue. O ânimo cai, e todos os esforços externos – dinheiro, motivação dos pais, influência da sociedade, pedido de amigos -, nada será suficiente para levantar o astral do desanimado sujeito.

 

Nada! E o curso vai para as cucuias!

 

Não há solução de problema sem vontade. Daí a pouco, “Inês é morta”, e a vida perde o sentido.

Uma reportagem mostra que uma jovem teria a pretensão de fazer um curso superior, para o qual se achava apta, mas com uma baita dúvida. Digamos que o curso fosse Agronomia.

 

O pai dela, intrometido, considerando que ele deveria opinar a respeito de tal escolha, lhe disse que deveria fazer Direito. Começaram os óbices. Qual escolha: Agronomia, coisas do campo, de sua pretensão? Direito, coisas jurídicas, visão de seu pai? Ou outro curso, descoberto no pré-teste? O que escolher? E a coitada, como fica?

 

Menina de 17 anos, egressa do segundo grau de escola pública, onde talvez nada disso tenha sido cogitado – que curso fazer? –, a dúvida só a afligia…

 

“E agora, José?” (Carlos Drummond de Andrade). Insistir no curso para o qual teria aptidão, ou obedecer às determinações do pai?

 

Felizmente, a garota, aflita, procurou ajuda. E encontrou uma entidade que lhe disse a primeira coisa certa – qual é o seu desejo? Você tem aptidão para o quê? Já fez uma sondagem?

 

A garota fez o teste, a que chamam de ‘psicológico’, modelito entranhado em revistas que se dizem donas do tema ‘educação – para onde vamos?’, e ficou provado, comprovado, que ela tinha aptidão para Paisagismo Urbano.

 

Que diferença? Seria agrônoma, bacharela em Direito, ou paisagista urbana? Para esta última profissão, também importante para as cidades ‘peladas’ de hoje, que mataram o verde, lembremos com sofreguidão e aspectos positivos Roberto Burle Marx, o grande paisagista urbano brasileiro. Nasceu paulistano e morreu carioca. Mas foi grande em sua luta pela beleza verde-urbana das cidades. Deixou belos exemplos.

 

O que importa é que se tenha vontade para se fazer um curso – simples, o mais cotado, o mais notório! – isso não importa. Importa que haja aptidão e que o aluno tenha ânimo para concluí-lo e exercer com dignidade a profissão para a qual foi ‘autorizado’.

 

Mas isso nem sempre acontece. É grande o número de alunos que abandonam o curso superior. E alguns vieses devem ser discutidos: 1. O aluno está fazendo o curso para o qual foi qualificado, ou a família lhe indicou que o fizesse? 2. A Faculdade é pública? 3. Sendo pública, é gratuita, e isso, de forma inversa, motiva-o a dizer “Vou sair, não é este o curso que quero…”?

 

Importa que se estude mais, que se faça um curso de sua preferência. Os pais devem orientar seus filhos, mas não lhes exigir que façam este ou aquele curso. E que o jovem valorize mais a si mesmo e o ambiente escolar que frequenta. Começando a fazer um curso, e não o terminando, certamente está prejudicando a si próprio, e prejudicou a outrem, por que tomou seu lugar.

 

Com isso, perde tempo, fica mais velho, não tem experiência profissional etc. Acredita-se que um contingente elevado esteja entre os da faixa NEM NEM, nem trabalham nem estudam. Ruim para eles e para a Nação.

 

Responda a esta pergunta: Que curso superior meu filho vai fazer? Por quê? Não diga que a indicação é sua. Espere que seu filho escolha o curso certo, e que o faça embasado no princípio de sua aptidão e de sua vontade, mesmo que não tenha feito pré-teste para isso.

 

E finalmente, responda também a esta pergunta: Por que muitos jovens abandonam o curso superior, geralmente em Faculdades públicas? Em parte, por que são gratuitas?

 

Quando há sacrifícios e o jovem faz o curso com base em sua escolha e capacidade, às vezes gastando o que não tem, normalmente não o abandona. E pode voltar a fazer outro curso, como complemento, ou aquele que lhe seria mais conveniente.

 

Dê sua opinião. E pense sobre isto: há evasão escolar. O jovem não pode ter uma visão restrita ao entorno em que vive nem deve perder suas raízes, e exerça com afinco e dedicação a profissão escolhida por ele.