De quem é a culpa? (3 de maio/2015)

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O bom político versus o mau. O mau, às vezes, de tão ruim, chega a ser maléfico.

 

Como queriam os filósofos gregos, a Política é a arte de servir ao povo. Onde, no mundo atual, esse preceito é respeitado ou seguido? Não se acredita que o seja aqui no Brasil, pelo que vemos e sabemos.

 

O preceito a ser seguido por um bom político deveria ser este: “Faço somente o que é bom para o povo, embora possa não ser bom para mim”. Ou pelo menos parecido.

 

No máximo, ele poderia inverter a ordem desse segmento ético: “Se é bom para mim, mas não o é para o povo, não devo apresentar esse projeto nem praticar qualquer ato que contenha algo similar”.

 

Na terceira hipótese, o que seria raro acontecer, o ‘bom’ político teria como norma absoluta: “Se é bom para o povo, e também o é para mim, então, posso fazer”. Fazer o projeto ou atuar.

 

Qual político que conhecemos atua em uma dessas premissas, em especial, a primeira?

 

De modo frequente, o político, quase todos eles, atua de modo que a dignidade do ato seja para ele, e não para o povo. O exemplo mais comum é o voltado para o momento de votar o percentual numerário mensal de cada um deles.

 

Duvidamos que um político reaja se alguém lhe disser: “Dr., o que senhor faz prejudica ao povo!”, e ele venha a mudar seu contumaz hábito de puxar a brasa para a sua já gorducha sardinha, com problemas cardíacos, tamanha é a sua gordura!

 

Míriam Leitão, notável como colunista no segmento da Economia Brasileira, disse recentemente isto, que nos envergonha e enxovalha. Abraspas – O PT administrou a Petrobras como se a empresa fosse dele. Esse é o erro primeiro do desastre consagrado em balanço. Desde que assumiu o governo, em 2003, foi isso que se viu. Todos os alertas, todos os avisos eram tratados como se fossem intromissões indevidas em assuntos internos. O PT geriu a Petrobras como se ela fosse uma sesmaria, e o partido, o seu capitão donatário. Fechaspas – (sic). In A Gazeta, ES, Economia 45, domingo, 26 de abril de 2015.

 

Seguem outros comentários fantásticos, dignos de ovações prolongadas.

 

Pense um pouco: Nas entrelinhas da senhora Míriam Leitão, a Petrobras é uma entidade particular, cujo dono é o PT. Não se veria outra interpretação, mesmo metafórica, para o trecho acima.

 

E sentenciou ainda: “Na donataria da Petrobras, o partido cometeu todos os erros conhecidos nos manuais de administração. E mais alguns. O PT achava que a ninguém tinha que prestar contas, e os militantes-dirigentes diziam que tinham salvado a empresa do risco de privatização e, portanto, poderiam usá-la. Com essa visão, o ex-presidente José Sérgio Gabrielli assumiu a empresa em 2005” (sic).

 

Note bem o tempo composto, com dois verbos fortes, usado pela colunista: “… tinham salvado …”.

 

Fortes por quê? “Ter”, ou tê-la para eles. Tornaram-se os donos da Petrobras, mas não a privatizaram para o público brasileiro. “Salvado”, ou salvaram-na para si mesmos. Na linguagem ecumênica da colunista, a Petrobras foi salva ‘para dentro’, para o grupo do PT.

 

A Petrobras não foi privatizada, mas foi privatizada para alguns e únicos senhores, militantes-dirigentes petistas.

 

“Ela foi administrada como se fosse o quintal do Palácio do Planalto” (sic), Míriam Leitão.

 

Aquele quintalzinho do dono da casa onde planta um pezinho de mandioca, que ele rega, rega, até dar uma raizinha boa para o café da manhã! Aquele quintalzão, quase um pomar, em que o dono planta, orgulhoso, umas sementes de abóbora, e colhe depois de 100 dias aquele jerimum para o café da manhã. Farta-se tanto, que suja a bocarra de tanto comer. Este o olhar do PT.

 

Relendo o texto, o leitor tira a conclusão do que seria um bom ou um mau político, o elemento básico de um partido. O PT, como os outros, são compostos por políticos. Resta-nos a capacidade, se a tivermos, de qualificá-los: bons ou maus? Separando uns de outros.

 

Ronaldo Caiado, líder do DEM no Senado, sobre o prejuízo da Petrobras, expressou-se assim: “Eu não conheço nenhum governo que tenha um balanço em que uma auditoria comprovou R$ 6,5 bilhões em corrupção e pagamento de propina”. Sim, ele disse isso.

 

Só a delação premiada para entender esse estrondo, buraco negro que nos aproxima do efeito-estufa na Economia Brasileira.

 

Outro cidadão, certamente também político: “Sim, a gente está com sentimento de vergonha”, Aldemir Bendine, Presidente da Petrobras, ao anunciar o prejuízo da empresa de R$ 21,58 bilhões em 2014, sendo que R$ 6,194 bilhões são relativos à corrupção.

 

Por que deixaram isso acontecer? Por que ninguém iria descobrir? Avalie o leitor, como quis dizer um ex-ministro do STF, se não houvesse a delação premiada, uma peixeira de três gumes – fere a quem beneficia, fere quem é condenado, fere o povo finalmente!

 

E sobre a mesma corrupção, o vice-presidente da República, ‘modesto’, disse apenas isto (mais lacônico que menino assustado!): “Pegar bem não pegou”. Só isso? Não teria a palavra certa para definir a situação da empresa, e ‘a vergonha’ por que passa o País neste momento diante do Concerto das Nações! Não teria se é grande orador?

 

Então, quem é o mau político? Quem é o bom político? De quem é a culpa por isso tudo? De quem vota? Da lei que favorece benesses para a Política e deixa o povo pobre com a b… de fora?

 

Não ‘acredito’ em Política, como pensa muito cidadão por aí, como pensa este colunista. Como vai pensar o jovem daqui para a frente? Ou melhor: jamais acredite no político, mesmo que seja aquele em quem você votou.

 

A boa Política não combina com usura, com dinheiro, com privacidade, com a calada da noite. O bom político é aberto, é simples; senão, pobre, no máximo, remediado; tudo isso combina com ‘a coisa púbica’, com ‘a res publica’, abandonada no Brasil atual.