De quem é a culpa? (23 de julho/2014)

256

O desarmamento, no Brasil, é controverso. No mínimo, gera este questionamento: por que desarmar o cidadão de bem e armar o bandido?

Evidente que há opiniões outras – que o homem comum não é ligeiro no gatilho; que não anda com más intenções; que o bandido é mais preparado em todos os sentidos; que isso e aquilo.

Mas ainda surge mais uma questão – ou todo mundo armado, ou todo mundo desarmado. Não seria esse um princípio mais lógico? Pense nisso.

A lei é clara – ninguém pode andar armado. Salvo, a PM, a PC, setores envolvidos com a proteção de comunidades, seguranças, juízes etc., e aqueles que conseguem porte legal de arma de fogo. Mas o Governo não conseguiu desarmar os meliantes, que fazem o que bem querem. Há um perigo constante no ar – os homicídios provenientes de arma de fogo acontecem a céu aberto em todos os cantos do País, salvo, é claro, as poucas exceções.

Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Alagoas – e outros estados – têm índice elevado de morte por armas de fogo. Há manchetes de todos os tipos, como esta – “Homicídios: PRIMEIRO SEMESTRE MAIS VIOLENTO NO ESTADO”, referindo-se ao número de homicídios no Espírito Santo. É elevadíssimo. Quando haverá o oposto – nenhuma morte nesse aspecto? O desarmamento não foi instituído? Por que continua a matança? Por que os bandidos continuam armados? Se armados estivessem e só atirassem quando seu arqui-inimigo aparecesse – a polícia – e, para se defenderem, atirassem! Ainda seria uma boa premissa… Mas isso não acontece. E a premissa maior, como fica? – Se a lei impõe o desarmamento, por que ele não atinge a todos? Nem se precisa falar em SP e RJ.

Certamente, o homem comum deveria fazer um curso de tiro, de manuseio de arma de fogo, ter uma aprendizagem que lhe desse segurança, para depois se “amar” para se defender. Como nós não aprendemos tudo de uma única vez, esse ‘conhecimento’ viria com o tempo. Pelo menos, a lei não poderia proibir o desarmamento generalizado – em casa, quando se quer, quando se pode, haveria permissão para a defesa do homem que tem seu lar invadido. Não cabe a premissa de que o bandido, sabedor de que o homem comum tenha arma, deseje por esse motivo adentrar o imóvel alheio. Nem cabe a suposição de que o cidadão de bem é despreparado – o bandido já nasceu bandido, já nasceu sabendo usar arma de fogo?

Volta-se ao mesmo patamar – um silogismo quase perfeito: Se A pode andar armado, B também pode. Ou – Se A não pode andar armado, B também não pode. E ainda – Se a lei determina o desarmamento, a lei vai atingir a todos, e não a uma parcela da sociedade.

O cantor Sérgio Reis, Serjão – como também é conhecido no meio midiático, diz, entre outras coisas, o seguinte, em se tratando do desarmamento – “(…) Só que lá o governo não tem poder pra desarmar a população. Lá você entra numa loja e fala “Eu quero a 380, a 45 e três pentes de bala”. Fizeram o contrário no Brasil. Nossa justiça desarmou a população. O ladrão entra aqui e sabe que ninguém pode ter arma. Vamos fazer o contrário. Vamos armar a população! Dar curso de tiro para todo mundo. Se o ladrão bate no vidro, toma um tiro no peito. Entra na minha casa pra você ver!”

Essa entrevista foi divulgada pela revista Sexy em agosto de 2013, número 404, págs. 90-91. O assunto foi chamado de Filosofia de Boteco, ou já tem esse título permanente.

Como Serjão já teve a fama de não levar desaforo para casa, referindo-se ao direito de uso de arma nos EUA, e considerando os fatores negativos do desarmamento no Brasil – a violência continua, ele respondeu da forma como está retrocitado. O repórter insinuou num momento o seguinte “Hoje a galera anda armada”, certamente, fazendo referência ao poder de fogo dos que andam armados mesmo contra a determinação legal, o que não é o caso do homem de bem. Ele tascou suas opiniões diversas. O resumo foi esse.

Como vai ficar? Não há parâmetros, e queremos paz, queremos sossego, queremos menos violência ou nenhuma. Mas como nada é perfeito, a violência continua…

Perguntamos – até quando? Os índices de violência por morte com arma de fogo vão diminuir? Vai haver nova providência do Poder?

“A quantidade de homicídios no Espírito Santo, no primeiro semestre deste ano, aumentou em relação ao mesmo período de 2013. Foram 870 mortes de janeiro a junho em 2014, 47 a mais do que no ano passado.” (…) Carla Sá, jornalista, A Gazeta, Cidades, pág. 3. Sábado, 19 de julho de 2014.

Como será nosso futuro? De quem é a culpa pela violência em nosso País? Por que desarmar a uns, e a outros, não?