Este artigo versa sobre o futebol, o soccer americano. ‘Foot’, pé, e ‘ball’, bola, do Inglês, termos que geraram nosso futebolístico esporte. Pode ser bonito, mas… Mas, o quê?
O futebol, hoje, é empresarial, vivendo a plenitude do marketing… mas deixa a desejar. Sua organização não é tão clara quanto decantam seus organizadores.
Por que o goleiro, o número 01, traz estampado na sua camisa vistosa – verde, amarela, vermelha, azul, lilás, ou outro colorido chamativo! –, o número 90?
O número UM do goleiro perdeu a graça? Ou seria por que o time tem vários goleiros? O time famoso, como o Chelsea, da Inglaterra, poderia ter cinco goleiros, mas só vão a campo dois. Por que esses dois não podem ter a mesma numeração, sempre o número 01, para demonstrar a ‘organização’ do elenco?
Porque, diria o empresário, essa ordem não é obrigatória. Vale a decisão de quem manda no plantel (nome bonito, que inicialmente foi usado para indicar cavalos de raça!), ou ainda o é, e agora faz parte dos termos futebolísticos usados em todo o Brasil.
Em países latino-americanos em que se fala o Espanhol, o termo básico para indicar o elenco ou o plantel é “Le equipo”, o mesmo que usamos, em alguns momentos, a equipe. Mas não importa que isso aconteça. Importa que haja ‘sustentabilidade’ no momento em que o plantel vai a campo. E a numeração incomoda!
Defenderia quem pensa de forma contrária que o time tem três centroavantes, que o time não deve manter a mesma numeração para os três jogadores! Até certo ponto válido, mas… Mas só vão a campo dois, e por que esses dois não têm a mesma numeração?
Por que o jogador xis usa a camisa 48 se ele apenas deveria usar a de número 4? Porque, por trás de tudo, há a globalização, um investimento alto, e fulano, aquele jogador caro, precisa ser destaque… Destaque com a mesma camisa que outro usa, e este não passou de um joão-ninguém?
O certo é que o futebol ganhou a mania de grandeza, a megalomania futebolística, e só assim sua performance vai ser demonstrada. A teoria tola de enumerar os membros da equipe de 01 a 11 está ultrapassada. Assim, pensam os mandantes.
O que nos explica a dinâmica antiga e ultrapassada? O que nos explica a modernidade evolutiva, que faz o futebol crescer, ser notório em todo o Planeta?
Não se consegue fácil distinguir uma diferença de outra. Para o leigo, fica a noção de desorganização, que atrapalharia o raciocínio do torcedor comum que está na arquibancada. Ele sabe que em campo estão 11 jogadores, mas não sabe a numeração exata de cada um deles. Ora, o goleiro – número 22! Que estranho! Ora, um zagueiro, que seria o número 2, está com a camisa 90. O dez é sempre o dez? O nove pode mudar? O sete também?
Quem é R10? Por que optaram por esse tipo de numeração? Por que o empresário dele exigiu e o time teve que aceitar essa exigência? Por que ele, famoso e rico, bancado por uma conglomeração de empresas, tem o direito de exigir o número que mais satisfaz a seu ego?
Essa parte é a que nos faz entender pouco o futebol moderno. É um faz-de-conta enorme dizer que entendemos. Gostamos do futebol, mas nem sempre o entendemos.
Gostamos dele e o achamos estranho! Um jogador com a numeração R47, para homenagear quem? Quem começou com isso? Um time europeu? Vivemos momentos da globalização e do capitalismo, mas há falhas. As falhas nos distanciam do campo, e os torcedores vivem cautelas – têm medo de ir a campo todos os dias. Raramente, a família é vista em campo, como antes – o pai, a mãe, o(s) filho(s); a nora, o genro, e uma cambada de amigos, todos aglomerados no mesmo diapasão – torcendo, torcendo, sem medo de acontecimentos funestos.
Se o artigo não agradar a muitos, fica a noção, pelo menos para quem escreve, de que o futebol tem dinheiro, mas precisa rever sua estruturação; a noção de que vive do marketing, mas a globalização, o capitalismo e outros quesitos podem atrapalhar o futebol, ou o estão deixando em baixa credibilidade. Se isso continuar, no futebol pode deixar de ter a ênfase de hoje… Não é um vaticínio, nem este redator é um vidente, mas a interferência do empresariado no futebol deve ser questionada.
O clube já está de olho de que o acerto de valores deve ser com o próprio jogador, e não tão-somente com o seu empresário. O clube só pode pagar xis pelo passe do jogador, mas o empresário se impõe e quer mais. O clube só pode pagar xis pela remuneração mensal do jogador, mas o empresário se impõe e quer mais. O clube que aceita está com dificuldade em adimplir suas obrigações porque o rol de valores é muito alto.
A numeração em campo não indica a imposição de empresários? Cada camisa, por suposição, sinaliza um tipo de investimento – para diferenciar o fulano do sicrano, vem a numeração tão exótica.
De 01 a 11 é coisa de antigo! Mas a modernidade tem salvado o futebol? De quem é a culpa? Se você é torcedor de dois times, um brasileiro e um europeu, pense um pouco – por que o time daqui fracassa, e o de lá, não?


