De quem é a culpa? (11 a 15 de novembro/2015)

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O comentário de hoje quer analisar o desastre ecológico e humano ocorrido na região central de Minas Gerais, em Mariana, cidade muito próxima de Ouro Preto, área ferrífera por natureza.

 

Por que aconteceu? Por que não houve precaução quanto ao armazenamento de rejeitos de ferro nessas barragens? Logo nesse Estado, tão predestinado ao costume de bamburrar – a busca do ouro, depois a fama do ferro em Itabirito (terra de Drummond), e em outros rincões? A terra das minas, por isso Minas Gerais, o maior produtor de pedras preciosas do País.

 

Na linguagem de um homem simples, explorar parece que sabem, mas cuidar da Natureza, proteger os habitantes de desastre fatal, não. Tanto isso tem fundamento, que houve. Chegam a dizer que houve abalo sísmico na região. Verdade? Que tivesse havido, embora pareça mais natural o rompimento da barragem por não suportar mais a quantidade elevada de rejeitos – há anos – misturados com uma lama tóxica, com resíduos do próprio ferro (que dizem não ser tão tóxicos assim), mas com alto teor de mercúrio – este sim prejudicial a todas as espécies animais e ao ser humano. Quando isso vai ser consertado? Quando a Natureza vai se recuperar?

 

Haja lama! O Espírito Santo, como o Estado que recebe a continuação do Rio Doce, está sofrendo muito, e essa dor vai demorar de ser dissipada pelo que dizem e pelo que se vê em noticiários. Não há dimensão para esse crime, não há palavras certas ou adequadas que possam defini-lo.

 

Primeiro, o prejuízo das famílias do distrito; a destruição total – por quanto tempo? As mortes humanas – cerca de 30 pessoas desaparecidas, provavelmente soterradas na lama tóxica, cuja profundidade, como se mostrou num trabalho de bombeiros, varia de 1,5 m a 2,0 m. É muito triste. Não havia um órgão federal que fiscalizava tudo, que seria o responsável para exigir da empresa Samarco o bom funcionamento do setor?

 

Há muitos aspectos a serem comentados. O principal é – por que se descuidaram da proteção ambiental? Havia a arborização adequada para, talvez, minimizar a avalancha desastrosa, descomunal, incomparável, de tanta lama? Lama que chegou a percorrer mais de 800 km – saindo de Mariana e chegando a Colatina e Linhares no ES. Nota-se grande erosão no entorno da barragem – fotos mostram o terreno desnudo, as encostas sem árvores, os morros pelados. Como suportar tanta lama? E como suportar agora tanta dor? As desculpas dadas pela Empresa não convencem. Tem-se a dizer – num local desses, que vem há funcionando com uma barragem que guardaria os rejeitos de ferro e outros minerais, deveria haver uma proteção ambiental adequada. Pelo que se sabe da literatura mundial para a proteção de barragens, salvo engano, como há na China, o plantio de bambuzais na região, no entorno da barragem, seria o melhor recurso para proteger a população. Se a Empresa tem prejuízos, o povo tem muito mais. Parece que o local não serve mais para nada. A reconstrução do distrito e de casas do entorno será em outro local. A dimensão catastrófica é irreversível, tudo graças ao descuido – faltaram providências antecipadas, há muitos anos, para que a região fosse protegida. Na linguagem popular, ‘terra solta’, por mais que seja um barro vermelho duro, como o saibro, não suportaria toda a demanda de lama e rejeitos por muitos anos. A terra amolece e vem a ceder mais tarde, como aconteceu.

 

Tudo é um ensinamento, e as providências são posteriores, não anteriores. Quando se vê numa palestra a teoria de que ‘fulano, sicrano, empresa tal e tal, faz a devida proteção do meio-ambiente’, isso é bonito, mas a prática é outra. Não basta dizer por modismo “Proteja a Natureza”; prove sua intenção com atos e aterros adequados, com reflorestamento próprio (não se trata do plantio de árvores para a produção de celulose; esta história é outra).

 

Dizem que há no País cerca de 700 barragens desse tipo, e que em Minas Gerais está a maioria. Qual o ensinamento daqui para a frente? Quais as providências a serem tomadas para não vir a acontecer a mesma ‘destruição’? Certo que fica a aprendizagem, porém, a origem de tudo, no relatório a ser divulgado em 30 dias, o termo ‘negligência’, no mínimo, deve ser o mais usado.

 

Esta é a opinião. De quem é a culpa? Do ‘poder’ ou da Lei? Dos batutas comandantes de empresas que tiram tudo da Natureza – exímias extrativistas –, mas não são exemplares protetores da Natureza e da população, ou da má sorte do povo?

 

O resto é conversa para nos encher de desculpas, e acharmos mais tarde que eles estariam certos, e o povo que sofreu e sofre no local, perdendo tudo, e seus entes queridos, é que não teve sorte.

 

Não concorda com estas opiniões? Vá ao local ver as dimensões de tudo e responda, mais tarde. Na segunda oportunidade, sua resposta será outra.