De quem é a culpa? (08 de novembro/2015)

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A violência se alastra no País. Em todo canto, a todo o momento, temos notícias escabrosas sobre violência no Brasil. Não precisamos citar percentuais nem associarmos nossos casos aos estrangeiros. Bastam-nos os que vivemos.

 

Violência contra a mulher. Violência contra o idoso. Violência contra a criança. Além de outros tipos dessa epidemia nacional, que se alastra de Norte a Sul.

 

Tem-se dito muito que a Lei Maria da Penha, prevista para combater a violência contra a mulher – pelo menos reduzi-la, não tem sido eficaz. As DEAMs não estão solucionando, a contento, conforme comentários de especialistas, todas as denúncias contra a mulher. Há informações precisas e especiais de que mulheres dão queixa contra os agressores, pedem proteção e nem sempre os casos são resolvidos. A todo instante, além de estupro, violência física e moral contra a mulher, há homicídios praticados pelos companheiros ou esposos, ex-companheiros e ex-maridos, que não aceitam a separação.

 

A Bahia, como dizem as notícias, é o segundo Estado, no País, em que mais ocorrem homicídios contra mulheres.

 

Há pouco, um caso em Feira de Santana. Há pouco, um caso em Itabuna. Há pouco, um caso em outra cidade baiana – mas vêm acontecendo com frequência. São muitos.

Certo é que muitas mulheres são vulneráveis.

 

Por que isso acontece? Porque o homem, machista como é, se considera dono de sua amada e por qualquer motivo, com o qual não concorda, agride-a de forma brutal – socos, pontapés, e agressões de todos os tipos, a começar pelas verbais, as morais e depois as físicas. Tudo aquilo que fere, que ofende, o agressor pratica, e muita vezes não se arrepende. Chega ao disparate de dizer que ‘cadeia foi feita para homem’ e por isso não se importa em ficar trancafiado. Um sujeito assim é ‘homem de fato’, como pessoa honrada que pratica o bem, que tem direitos, que respeita o direito alheio?

 

Parece que não. Se a convivência está conturbada, por que não buscar uma solução? A saída é apenas agredir, ferir, manchar, ofender, dar mau exemplo, e mais – tirar a vida da companheira por um simples motivo?

 

Os crimes acontecidos contra a mulher têm a tipificação tríplice – motivo fútil, torpe e sem defesa da vítima. Quais os casos mais comuns? A origem de pequenas desavenças no seio da família – e surgem as brigas, com todos os tipos de agressão. Não satisfeito, o agressor parte para o homicídio.

 

O que é isso, companheiro? Será que uma terapia iria diminuir esses casos violentos? Como seria isso? As igrejas têm combatido, pelo menos de forma indireta, a agressão contra a mulher? Como tem sido na homilia? Como tem sido na hora de se interpretar uma parábola? Como têm sido as mensagens nos cultos e nas missas?

 

O que esperamos é que esses casos, no dia a dia, diminuam. Esperar-se-ia que se a lei não conseguisse coibi-la (a violência), imaginar-se-ia que a consciência de cada marido ou companheiro decidisse pelo certo. E não houvesse o sofrer, o bater, o ofender; se nada se conseguisse nesse aspecto, a saída seria o separar, e nunca o agredir ou matar.

 

O ruim, no pensar de quem ora escreve, é que estão dando guarida à ficção – em novelas e filmes há cenas gratuitas de violência contra a mulher (para dar IBOPE?) e muitos aplaudem isso. Não seria um incentivo? Por que combater o real e aplaudir o fictício? Esses dois ingredientes, dessa forma, não combinam.

 

O resto é pura balela. Como na literatura, a ficção se torna realidade, e a realidade pode estar dentro da ficção. Mas cuidado. Um caso pode levar ao outro. Não aplauda a ficção em novelas, que não merece a nossa atenção.

 

De quem é a culpa? – Da lei ou da mentalidade? A ficção, por si mesma, não é simplesmente inocente. Tem uma parcela de verdade – por que na ficção pode? Daí para se pensar que na realidade também pode é um triz. Por isso, muitas mortes.