De quem é a culpa? (07 de abril/2014)

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O artigo de hoje envolve o frisson a que está submetido o item ‘drogas ilícitas’.

Há, certamente, opinião oposta, mas o uso de drogas ilícitas é capitaneado pela apologia a tudo que é errado nesse campo – o cara usa, usa, e depois que se dá mal (quando não morre ou fica atrofiado), vai à televisão e diz que abandonou o vício, que vai salvar meninos e meninas, adolescentes e outros, desse mau caminho etc. e mil etcs. “Mau” hoje, que foi “Ótimo” ontem. Seria possível acreditar nessa falácia, que mais parece coisa de política? É aplaudido como herói. Isso é um nojo.

Não dá para acreditar em todos que agem assim – pois, enquanto a polícia vai ao morro e prende as mulas, os grandões ficam nadando de braçadas largas – têm o apoio indireto de quem tem dinheiro e as usa indiscriminadamente. Enquanto isso, dizem que são contra a violência – mas a violência, na mão deles, cresce e cresce, porque eles a fomentam através do uso de drogas. O artista pode? Tem-se uma falsa noção de que para o grande não há pecado – a qualquer momento, se ouve dizer que fulano, que sicrano, que beltrano, todos no mundo vip em que vivem, são usuários, e que não mandam ninguém usar, ou que já a usaram – insinuam que não há nenhum mal nisso, e que agora querem se livrar desse pecado.

Se algum famoso usou a cocaína durante dez anos, durante dez anos, ‘ajudou a expandir a violência’, porque deu dinheiro ao tráfico, e o tráfico matou, e mata; logo, numa premissa de segunda categoria, ajudou a matar – e vão influenciando meio mundo. O grande não se sente culpado porque não ‘assalta’ nem é violento por ser cocaineiro (termo novo?), por ser maconheiro (não é termo novo, é?), mas está incentivando.

É isso que complica. Quantas vezes, a polícia adentrou apartamento para buscar drogas? Só com mandado especial para isso, após a comprovação do tráfico, e como isso raramente acontece, os que estão em recinto privativo desse naipe estão isentos de investida da polícia. Enquanto isso, eles se esbaldam, e outros, os chefões, se enriquecem. Discorda?

Já que este artigo não é científico, nem parte de comentarista famoso na mídia, não fica bem citar o nome do usuário famoso, mas um disse numa entrevista (publicada em 25 de abril de 2014) – “Vi que a felicidade não está em me drogar”, logo depois, o nome desse alguém é citado, além da revista para a qual se manifestou. E todos pensam assim, mas usam, e o uso fomenta a veiculação e a expansão da droga.

Se fosse um pobre coitado (dizer isso seria uma falta de pudor e de respeito?), mereceria cadeia, porque usa droga e ainda não tem vergonha para vir a público dizer tal coisa. Quem pensa o contrário? (Pelo menos, grande parte pensa assim.)

Já se sabe de tantos famosos que morreram em virtude de overdose, e se sabe que muitos continuam a usar, mas não se tem coragem para denunciá-los. Mas… se o pé-rapado é mostrado usando crack na esquina, tem-se muito medo dele. E do outro, não? Só se sabe de artista famoso internado por causa do uso da droga, se o fato ocorrer espontaneamente; nunca se sabe de um internamento compulsório para gente ‘grande’, mas compulsoriamente querem internar os pequenos, que foram, na visão deste articulista, influenciados por esses notáveis. Esse ponto de vista recebe o aval de autoridades, recebe?

Isso dói, isso corrói, isso destrói, isso contorce o nervo ciático e faz se pensar no tipo de democracia que se tem no Brasil, ou no mundo. Para o p.p.p., tudo; para o nobre, nada.

Corre por aí a notícia de que uma TV tenta escolher substituto para ator que se envolve em violência, porque é usuário disso e daquilo, que já teve problema em outra rede, que continua reincidente. Etc. Como vai ficar? Nada contra ele. No máximo, pode perder o emprego, mas é aplaudido como herói. Há um que foi usuário de tudo (não continua?) e agora se diz ‘cidadão de bem’, a ponto de um companheiro de trabalho dele ter dito que seria bom que toda família (em todo o Brasil) adquirisse sua obra sobre o uso de drogas ilícitas, que essa pessoa ex-usuária, agora um ‘escritor’, é exemplo para todos. Há bom-senso na afirmativa do interlocutor, em favor de seu ‘amiguinho’?

Note esta opinião: enquanto usou, fomentou o uso, deu dinheiro para os capitães do tráfico; indiretamente, fez apologia ao uso dessas coisitas, como um cidadão que fuma diante de uma criancinha de 4 ou cinco anos – além de fazê-la fumante passiva, está motivando-a a ser futuro(a) fumante. Vá dizer que fazer sexo em praça pública não é incentivo a essa prática, além de ser imoral? Vá dizer que falar palavrões diante de crianças, além do mau exemplo, não as incentivam a fazer a mesma coisa? É por isso que há o combate à pornografia (o pornô escrito); quando é falado, deve ser chamado ‘pornofonia’, em alto e bom som. Os bons exemplos nem sempre pegam; os maus vão a galope e atingem muita gente, especialmente, os incautos.

O artista violento foi demitido da rede televisiva porque empurrou um cidadão “por falta de café no set” (sic), segundo outro artigo também de 25 de abril de 2014.

Durma-se com isso! Não se acredita na fala do famoso que usa drogas ilícitas e se diz inocente, que não influencia a ninguém. Falta dizer que ele pode; os outros, não.

De quem é a culpa?