De quem Bonner seria cabo eleitoral?

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O Jornal Nacional, como de costume há um tempo, entrevista os candidatos à Presidência da República, momento esperado por muitos brasileiros. O que se vê nas redes sociais é uma enxurrada de tentativas de criticar a entrevista exibida na noite de segunda-feira, 18 de agosto, com a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT). Nas falações, os ferrenhos “anti-Globo” acusam William Bonner de ser autoritário, grosso, agir de má-fé com a doce e inocente Dilma. Que ele é um fantoche da Rede Globo de Televisão, que, por sua vez, segundo os críticos e entendidos sobre manipulação, é tucana e odeia o Partido dos Trabalhadores (será mesmo?).
O colunista da revista “Veja”, Rodrigo Constantino, foi muito feliz ao dizer que as pessoas amam odiar a Globo. E concordo plenamente com ele. É moda odiar a Globo, assim como é moda esquecer todo este carrancismo com a emissora nos horários das novelas (Viva os dois pesos e as milhares de medidas do povo brasileiro!).
Engraçado que em toda eleição para presidente as coisas não mudam. As supostas críticas seguem o mesmo padrão. Já não seria hora de mudar o foco? Na verdade, de entender as coisas da forma como de fato estão ocorrendo? O PT, em 2010, divulgou no site ptnacamara.org matéria afirmando que Bonner agiu como cabo eleitoral da oposição ao entrevistar a então presidenciável Dilma. Veja trecho da matéria:
“William Bonner, apresentador do Jornal Nacional da TV Globo, ao entrevistar a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, na segunda-feira (9), agiu mais como cabo eleitoral da oposição do que como jornalista. A avaliação é do líder da bancada petista na Câmara, deputado Fernando Ferro (PT-PE), Durante a entrevista, transmitida ao vivo, Bonner tentou constranger Dilma, interrompendo-a várias vezes com indagações negativas, num tom deselegante e autoritário.”
O mesmo texto cabe em 2014 para criticar postura semelhante diante de Dilma. Entretanto, poderíamos, sem perda de sentido, trocar sigla do partido e o nome do presidenciável, tendo em vista que, logo após a entrevista a Aécio, as redes sociais foram tomadas pelas mesmas acusações contra William, que, desta feita, teria agido de má-fé com o anjinho de conduta ilibada e passado límpido Aécio Neves. As reclamações ao apresentador do JN foram tão fortes que ele se defendeu publicamente:
“Enquanto aguardamos que o tempo nos permita decolar, vejo com espanto como as paixões eleitorais momentâneas podem alimentar a intolerância de um tipo de eleitor que se considera suficientemente informado sobre os candidatos – e que nega às outras pessoas o direito de se informar. É aquele que não quer saber mais nada. Não quer ouvir explicação sobre nenhuma questão polêmica. E é um direito dele. O problema é quando não quer que ninguém mais tome conhecimento daquelas questões. E, por isso, insulta quem pensa de forma diferente, insulta quem cobra aquelas explicações de candidatos a cargos públicos. Isso se chama obscurantismo. Tenho 30 anos de profissão e me orgulho de ter entrevistado candidatos à presidência do Brasil em 2002, em 2006, em 2010 e neste ano. Em todas as entrevistas, fiz e farei as perguntas que os candidatos prefeririam não ter que ouvir. Assuntos que lhes são desconfortáveis, incômodos.”
Os anos passam e os críticos de plantão não adquirem criticidade!