Após tentativas desesperadas de venda de ativos e busca por socorro junto ao FGC, o antigo Banco Voiter encerra atividades, deixando um passivo estimado em R$ 5 bilhões
O cenário financeiro nacional registrou um movimento drástico nesta quarta-feira. O Banco Central do Brasil (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno (anteriormente conhecido como Banco Voiter). A medida ocorre após um período de intensa fragilidade financeira e tentativas mal-sucedidas de capitalização por parte de seu controlador, o empresário Augusto Lima.
O histórico e a crise de liquidez
Augusto Lima, ex-sócio principal de Daniel Vorcaro no Banco Master, assumiu o controle da instituição com o objetivo de reestruturá-la. Durante o mês de fevereiro de 2026, o controlador empenhou-se em uma série de manobras financeiras para evitar o colapso, incluindo a oferta de venda de ativos estratégicos.
Fontes ligadas ao mercado indicam que o empresário buscou apoio junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada que protege depositantes e investidores. No entanto, as garantias apresentadas e o plano de recuperação não foram considerados suficientes para estancar o déficit da instituição.
Conexões políticas e trajetória
A ascensão de Augusto Lima no mundo financeiro é frequentemente associada ao período em que estreitou relações com o Governo do Estado da Bahia, especialmente durante a gestão do ex-governador e atual Ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Essas conexões foram fundamentais para a estatura que o empresário ganhou no setor, embora, nos últimos meses, o isolamento financeiro tenha se tornado evidente diante da deterioração dos balanços do Banco Pleno.
Impacto financeiro: A “conta” do FGC
A liquidação extrajudicial interrompe as operações de imediato e aciona o mecanismo de proteção aos credores. Estimativas preliminares de analistas que acompanham de perto os negócios de Augusto Lima indicam que o rombo a ser coberto pelo FGC pode chegar à marca de R$ 5 bilhões.
“Informação insuficiente para verificar o valor exato do passivo no momento exato do decreto, dependendo ainda da publicação do balanço de encerramento pelo liquidante nomeado.”
O Banco Central justificou a medida citando a “existência de graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição”, além do comprometimento da situação líquida e patrimonial do banco.
Próximos passos
Com a liquidação, os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis. O liquidante nomeado pelo BC terá a tarefa de levantar os ativos remanescentes para quitar as dívidas com os credores, seguindo a ordem de preferência legal. O impacto no mercado de crédito de médio porte é monitorado com atenção pelas autoridades monetárias para evitar efeitos de contágio. Por Alan.Alex / Painel Político


