Crise no Banco Master: Daniel Vorcaro relata à PF uso intensivo do FGC e impacto de mudanças regulatórias

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Transcrição obtida pelo G1 aponta que o controlador do Banco Master descreveu à PF um modelo de negócios sustentado pelo FGC e pressões regulatórias que afetaram a liquidez da instituição

dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que a instituição enfrentava problemas de liquidez e utilizava o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como base de seu modelo de negócios. As informações constam de uma transcrição obtida pela jornalista Andréia Sadi, do portal G1, referente ao depoimento prestado no final de 2025 à delegada responsável pelo caso.

Segundo a transcrição, Vorcaro relatou à PF que havia uma “crise” e uma “pressão de liquidez” no banco. Ele também declarou que relatórios do Banco Central do Brasil (BCB) teriam indicado que a situação se intensificou em razão de mudanças na regulação e de movimentos do mercado financeiro. Em sua fala, o controlador sustentou que o plano de negócios do Master era “100% baseado no FGC” e que, até então, não via irregularidade nesse modelo, afirmando que as regras teriam sido alteradas após o crescimento da instituição.

Mudanças na captação e anúncio de venda ao BRB

Ainda conforme o conteúdo atribuído ao depoimento, Vorcaro disse que a cessão de ativos se tornou a principal forma de captação do banco até o anúncio de que o Banco Master seria adquirido pelo Banco de Brasília (BRB), instituição financeira pública do Governo do Distrito Federal. Após o comunicado, segundo ele, as fontes de captação teriam sido “fechadas por completo”.

O empresário afirmou à PF que o banco chegou a originar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês, mas que o volume foi reduzido como medida para garantir liquidez. Um dos fatores citados foi uma comunicação do Banco Central em novembro de 2024, que teria levado o Master a montar um plano de ação para enfrentar o cenário.

Estrutura do modelo de negócios

De acordo com a transcrição divulgada, Vorcaro explicou que o modelo do banco evoluiu para uma dependência considerada “agressiva” da cessão de ativos e do suporte do FGC. Ele mencionou foco em crédito consignado, emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) e o uso de originadores terceirizados para ampliar o volume de operações.

No depoimento, o controlador declarou ter aportado quase R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal para sustentar o funcionamento do banco durante o período de crise.

O papel do Fundo Garantidor de Créditos

Fundo Garantidor de Créditos é uma associação privada, sem fins lucrativos, integrante do Sistema Financeiro Nacional, com a função de contribuir para a estabilidade do sistema bancário, prevenir crises e proteger depositantes e investidores.

Na prática, o FGC atua como um mecanismo de garantia que cobre valores depositados ou investidos em instituições financeiras associadas em caso de intervenção ou dificuldades financeiras. Conforme informado no material divulgado, desde o dia 19 o FGC passou a ressarcir em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ correntistas e investidores com recursos no Banco Master. Segundo os dados citados, cerca de 600 mil credores já haviam solicitado o ressarcimento até a noite da segunda-feira mencionada na reportagem.

Observação de verificação: As informações acima são atribuídas à transcrição do depoimento obtida e publicada por Andréia Sadi no G1. Detalhes adicionais sobre procedimentos administrativos, decisões regulatórias formais do Banco Central e o estágio oficial da negociação com o BRB não constam do material apresentado. Informação insuficiente para verificar além do que foi reportado pela fonte citada.

Impacto institucional e repercussão

As declarações atribuídas ao controlador do Master trazem implicações para o debate sobre o uso do FGC como pilar de modelos de negócios bancários e sobre a atuação regulatória do Banco Central. Especialistas em regulação financeira frequentemente apontam que o fundo foi concebido como instrumento de proteção ao depositante, e não como base estrutural para estratégias de expansão de instituições financeiras.

No campo político-institucional, o envolvimento do BRB, banco público vinculado ao Distrito Federal, na possível aquisição do Master ampliou o interesse de órgãos de controle e do mercado sobre os termos da operação e seus impactos para o sistema financeiro regional. Por Alan.Alex / Painel Político

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