Como o skate transforma vidas e reagrupa a juventude em Teixeira de Freitas

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Teixeira de Freitas – Com atitude marcante e forte presença nas ruas, a paisagem de Teixeira de Freitas vem ganhando novos contornos por meio de um movimento sociocultural que constrói uma identidade própria e traduz uma forma genuína de pensar e um estilo alternativo de agir. É uma juventude que busca trilhar o próprio caminho diante de uma sociedade cada vez mais padronizada e previsível, quase como se tivesse saído de uma linha de montagem.

Influenciado pelo fascínio pelas roupas largas do estilo Y2K e pela cultura urbana do hip-hop, do graffiti e do rock, surgiu o Poukas Ideia Skate Crew, grupo de skatistas locais que reúne a essência do skate street com organização e foco em impacto social. A iniciativa mostra que o chamado “carrinho” vai muito além da prática esportiva.

Da paixão inicial ao estilo de vida

Para muitos dos envolvidos, a conexão com o skate começou de maneira despretensiosa. Gleiciano de Jesus Silva, conhecido entre os amigos como “Silva”, conta que seu interesse surgiu a partir da estética e do estilo de vida urbano.

“Essa ideia de skate surgiu de uma ideia que tive com um amigo. Nós trocávamos ideias sobre estilos de roupas largas, ‘Y2K’ e ‘cargo'”, relembra Silva.

A inspiração logo virou ação. Vieram os primeiros skates comprados pela internet e, com eles, a ansiedade de esperar cerca de três semanas até a chegada dos equipamentos.

“Nós pegamos esses skates e fomos andar sob o sol de rachar o crânio. Saíram quedas, ralados e feridas nas canelas. Foi uma experiência muito louca. O skateboard, para mim, é um estilo de vida! Aonde eu vou, meu carrinho está junto. Skate liberta minha mente. Sou mais um louco consciente”, afirma.

Respeito, história e inclusão

A vivência das ruas e a trajetória no skate também carregam a experiência de quem acompanhou a evolução da modalidade na cidade. Isaque “Racionais” Rodrigues, skatista há cerca de 16 anos, destaca que o skate sempre fez parte de sua identidade e foi fundamental em sua trajetória pessoal.

“Skatista não para, skatista dá um tempo. São 16 anos de amor pelo board, que deixou de ser um esporte e se tornou um estilo de vida. Venci muitos problemas pessoais através do skate, conheci pessoas e ouvi histórias incríveis”, revela Isaque.

Ele também ressalta o momento histórico vivido pela modalidade na região.

“Estamos em um período de transição, em que a prática está cada vez menos marginalizada. Skatistas teixeirenses passaram aperto nos anos 90, e essa aproximação com o público geral pode ser a chave para a prática ser respeitada e incentivada, pois talento não falta, principalmente na molecada”, completa.

A transformação urbana e o manifesto do grupo

Unindo a experiência dos mais antigos ao entusiasmo de quem está chegando agora, a iniciativa em Teixeira de Freitas busca transformar a percepção sobre o uso dos espaços públicos e abrir espaço para o talento local.

Em seu manifesto, o grupo sintetiza a visão que orienta suas ações:

“Unimos a essência pura do skate street à organização e ao impacto social. Nosso objetivo é transformar o espaço urbano através do esporte, promovendo a arte do carrinho, fortalecendo a cena local e inspirando a comunidade com atitude, disciplina e evolução constante. As ruas são a nossa tela; o skate, a nossa voz.”

Com atitude, disciplina e união, o coletivo teixeirense mostra que as manobras no asfalto são apenas o começo de uma transformação muito maior. Por Luiz Oss

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