Coisas da vida: razão e emoção

260

Até hoje, pesquisadores, filósofos e cientistas discutem a classificação da espécie humana de “homo sapiens”, por causa do constante conflito existente nas relações entre pessoas.

Desde a pré-história as pessoas raramente conseguem entrar em acordo sobre uma diferença de opinião ou aceitação de um fato consumado. Quando conseguem chegar a um acordo, a situação não dura muito tempo porque uma das partes já mudou de opinião e não concorda mais com o trato feito anteriormente.

Somos seres pensantes que sentem ou seres sensitivos que pensam?  Qual o comportamento mais atuante?    A razão ou a emoção?

Contrariando toda e qualquer expectativa e sem justificar a “sapiência” da nossa classificação biológica – salvo em ocasiões muito raras –, as emoções direcionam nossas decisões de forma rápida e fulminante, nos tornando pessoas de “cabeça quente”.

E por causa disso, a maioria das decisões mal tomadas são dolorosas e, muitas, até trágicas, como atestam o noticiário policial dos jornais impressos e televisivos.

Algumas pessoas se arrependem e procuram tentar reparar ou minimizar os resultados desagradáveis.

Outras pessoas não; e são, justamente, essas pessoas cujas ações irresponsáveis e egoístas promovem os comportamentos sociopatas mais comuns.

A outra pessoa prejudicada, a família dissolvida e o nosso planeta poluído que o digam.

É esse também o fato gerador de guerras, conflitos e desentendimentos variados que destroemfamílias, amizades, sociedades e coleguismo profissional ao mesmo tempo em que ajuda a construir os atuais templos da estupidez humana: os fóruns e os tribunais da vida jurídica.

Essa falta de empatia (a capacidade de se colocar no lugar do outro) é que caracteriza a pessoa fria de sentimentos para com o próximo, tornando-a um ser perverso sem paciência, sem generosidade e sem misericórdia.

Para melhor juízo, o bom senso deve imperar nas nossas decisões – sempre temperadas com razão e emoção – mesmo porque cada caso é um caso, único e específico.

E por causa disso é que – sempre que possível –a decisão deve sempre favorecer ao grupo (família, empresa etc.) e não somente a um indivíduo, o que estimularia o narcisismo, o egoísmo e a megalomania, tão comuns na sociedade atual.Continua.

Por Carlos Magno Perin*

*Carlos Magno Perin é PhD em Terapia Cognitiva Comportamental e Inteligência Emocional.