Camaçari receberá fábrica para construção de veículos militares

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A fábrica, segundo a empresa, representará investimentos de US$ 50 milhões
(Foto: Reprodução)

A Bahia foi o estado escolhido pela VSK Tactical, empresa que fornece bens e serviços a militares, polícias e outras agências governamentais, para instalar uma montadora de veículos militares. A empresa está prestes a definir o local, que poderá ser o Polo Industrial de Camaçari ou Feira de Santana.

“O investimento será na Bahia, isto já está definido”, garante Marcellus Ferreira Pinto, presidente-executivo da VSK Tactical no Brasil, que falou com a reportagem de Autos de Nova York, onde tratava do projeto com o Bank of America, juntamente com o engenheiro Vinicius Bocaiuva.

Ele justifica que o estado foi escolhido em função da posição geográfica e seus diferenciais logísticos, de infraestrutura e dos benefícios que o Polo de Camaçari proporciona. “A Bahia conta com localização estratégica, com portos, aeroportos e conexão internacional direto com Salvador. O governo é dinâmico e está alinhado a algumas diretrizes até do governo americano, no sentido da estabilidade institucional”, diz o executivo.

A decisão de construir uma fábrica no país se deve a um maior peso que o atual governo dá para que uma empresa fornecedora de produtos e serviços esteja situada no Brasil, com conteúdo nacional. “Atualmente, esse nicho de mercado é atendido apenas com importações”.

Segundo ele, quem conduz as negociações na Bahia é Bruno Dauster, secretário da Casa Civil do governo da Bahia. “Não temos nenhuma isenção, estamos entrando com as regras normais, nenhuma outra regra especial foi criada para nós”, diz o presidente da VSK, que assegura que o projeto é 100% com dinheiro privado.

A assessoria de comunicação da Casa Civil da Bahia se limitou a informar que houve uma reunião sobre esse assunto, mas não teria detalhes sobre o tema. Também procurada, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico comunicou que até este momento não tem nenhum investidor, seja a VSK ou outros, em contato oficial com a SDE para este fim.

Segundo o vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, João Leão, há interesse. “Até o momento não fomos procurados oficialmente pelos investidores para instalação deste empreendimento que pretende construir veículos militares na Bahia. Mas, caso ocorra, o estado tem todo interesse em apoiar a implantação, pois consistirá em geração de emprego e de renda para os baianos”, afirmou.

De acordo com Ferreira Pinto, as conversas preliminares foram muito positivas, mas as definições ainda dependem de um alinhamento oficial com o governo do estado e de encontros com empresários locais, que estão ocorrendo esta semana em Salvador.

Produção

O investimento inicial será entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões, podendo chegar posteriormente a R$ 200 milhões (ou US$ 50 milhões). A meta é iniciar a produção em um período entre seis e dez meses, o que deve absorver cerca de 50 empregos diretos e 200 indiretos.

“Estamos confiantes. A produção será pequena, de 600 a 1.000 veículos por ano, para começar com 60 veículos por mês”, conta. O projeto prevê utilizar fornecedores locais, do Polo de Camaçari, onde já há um parque industrial e está instalada a Ford.

Além da futura montadora, a VSK tem interesse em expandir a planta inicial para um polo técnico-militar. Já há contratos assinados para uma fábrica de armas, uma de nanotecnologia militar e uma segunda montadora, voltada a veículos blindados pesados.

O modelo J8

A linha de veículos militares que a JSK vai produzir na Bahia é a J8, composta por seis modelos. “Eles são adaptados, pensados, modulados para a necessidades do governo brasileiro em todas as suas esferas, estados, Guardas Municipais, Exército, Ibama, Bombeiros, polícias Militar e Civil e Fuzileiros Navais, entre outros”, explica Ferreira Pinto, que ressalta que os veículos nada têm a ver com a FCA, que produz modelos da Jeep no Brasil.

“Não é Wrangler nem Renegade. Não é produzido sobre as plataformas desses modelos. Não tem nada a ver com o carro da Jeep civil, não podemos dizer que é a mesma plataforma porque não tem nada a ver uma coisa com outra. É uma plataforma militar chamada Jeep J8, uma família de veículos Jeep, de uso exclusivamente militar”.

O Jeep J8 é da divisão de veículos militares e pertence apenas ao Departamento de Estado norte-americano. “Eu não posso produzir nem vender esse veículo no Brasil sem a autorização do governo americano”, afirma.

Ferreira Pinto garante não ter concorrentes no mercado brasileiro, considerando os fatores preço, tecnologia, motorização, câmbio e conteúdo nacional. “Estamos realizando estudos e atualizações desde 2013, com muita pesquisa de mercado”.

Inicialmente, o processo de produção será em CKD, ou seja, a empresa receberá o veículo completo desmontado para ser montado e finalizado na planta baiana. Quem produz os modelos é AADS, empresa americana e parceira da VKS, que fabrica o J8 e fornece para outros países com autorização do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Segundo o executivo, já há estados interessados nos carros, que não serão vendidos a pessoas físicas. Lúcia Camargo Nunes / São Paulo / Foto: Divulgação. Da Redação de ATARDE