No elenco de ‘Pantanal’, atriz, que completa 30 anos em novembro, também fala sobre como a busca pelo envelhecimento saudável começa agora

Além de trazê-la de volta ao horário nobre e ao centro de uma das produções mais aguardadas dos últimos tempos, o trabalho a possibilitou explorar uma história cheia de nuances que tangenciam temas caros à própria atriz, fortemente interessada por debates de gênero e identidade. “Madeleine não é uma pessoa chapada, perfeita, boa. É complexa e também equivocada”, adianta. Criada na Zona Sul do Rio, a personagem vive no conforto de uma família rica até se apaixonar pelo peão José Leôncio (vivido por Renato Góes e Marcos Palmeira). Os dois se casam e mudam para o Pantanal. A jovem, porém, não se adapta àquele lugar e se vê acometida por uma angustia profunda. “É a solidão de uma mulher que abre mão de tudo para estar com o marido, enquanto ele não abre mão de nada.”
Antes de começar a gravar, Bruna costumava dizer, em voz alta, nomes de pessoas que conheceu ao longo da vida. Era um modo de acessar as feridas da personagem. “Não é uma história incomum, infelizmente. Tem uma intensidade, numa vivência das mulheres, dessa solidão, desse corpo capturado pelo casamento, pela maternidade, por escolhas que não necessariamente foram suas, mas você se vê enredada”, analisa. “Encontrei, no próprio Pantanal, pessoas como Madeleine. Sentiam-se presas e sozinhas. Precisavam ir embora, mas não conseguiam, ainda que pudessem.” Por Eduardo Vanini / O Globo


