Bruna Linzmeyer diz não querer ser mãe e reconhece a importância da identidade ‘sapatão’

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No elenco de ‘Pantanal’, atriz, que completa 30 anos em novembro, também fala sobre como a busca pelo envelhecimento saudável começa agora

Top Von Trapp sobre blusa Dolce & Gabbana, brinco Héctor Albertazzi Foto: Bruna Castanheira
Top Von Trapp sobre blusa Dolce & Gabbana, brinco Héctor Albertazzi Foto: Bruna Castanheira

Depois de dois anos longe dos estúdios, Bruna Lizmeyer estava sedenta para voltar a atuar. “Fiquei esse tempo todo trabalhando de casa, escrevendo, mas sou um bichinho de set. Adoro ver a montagem de uma luz e lente sendo colocada.” O retorno foi em grande estilo: coube à atriz, de 29 anos, o papel de Madeleine, nos primeiros capítulos de “Pantanal”, novela da TV Globo que acaba de estrear na faixa das 21h. A personagem foi interpretada por Ingra Liberato na primeira versão do folhetim, e Bruna vai representá-la até que Karine Teles assuma o posto, na segunda fase da trama.

Além de trazê-la de volta ao horário nobre e ao centro de uma das produções mais aguardadas dos últimos tempos, o trabalho a possibilitou explorar uma história cheia de nuances que tangenciam temas caros à própria atriz, fortemente interessada por debates de gênero e identidade. “Madeleine não é uma pessoa chapada, perfeita, boa. É complexa e também equivocada”, adianta. Criada na Zona Sul do Rio, a personagem vive no conforto de uma família rica até se apaixonar pelo peão José Leôncio (vivido por Renato Góes e Marcos Palmeira). Os dois se casam e mudam para o Pantanal. A jovem, porém, não se adapta àquele lugar e se vê acometida por uma angustia profunda. “É a solidão de uma mulher que abre mão de tudo para estar com o marido, enquanto ele não abre mão de nada.”

Antes de começar a gravar, Bruna costumava dizer, em voz alta, nomes de pessoas que conheceu ao longo da vida. Era um modo de acessar as feridas da personagem. “Não é uma história incomum, infelizmente. Tem uma intensidade, numa vivência das mulheres, dessa solidão, desse corpo capturado pelo casamento, pela maternidade, por escolhas que não necessariamente foram suas, mas você se vê enredada”, analisa. “Encontrei, no próprio Pantanal, pessoas como Madeleine. Sentiam-se presas e sozinhas. Precisavam ir embora, mas não conseguiam, ainda que pudessem.” Por Eduardo Vanini / O Globo