O cofundador da Microsoft intensificou os alertas sobre os riscos da tecnologia e defendeu empregos exclusivos para humanos, taxação de tokens e novas instituições de governança
Bill Gates: cofundador da Microsoft criticou a IA (CNN/REUTERS/Denis Balibouse).
Para Bill Gates, a inteligência artificial (IA) poderá causar a morte de até um bilhão de pessoas, se usada com más intenções. “A IA certamente tem poder suficiente para provocar eventos que causariam
O cofundador da Microsoft, Bill Gates, afirmou que a inteligência artificial (IA) já é “poderosa o suficiente” para desencadear eventos que poderiam provocar a morte de uma parcela significativa da humanidade. A declaração foi feita em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, que será exibida neste fim de semana.
“A IA certamente é poderosa o suficiente para desencadear eventos que, você sabe, causem 1 bilhão de mortes”, disse Gates. “Nunca houve uma arma tão poderosa quanto a combinação de pessoas com más intenções usando as ferramentas de IA mais avançadas.”
A declaração ocorre em meio ao aumento dos alertas de líderes e funcionários da indústria de tecnologia sobre os riscos associados ao avanço da IA. Com a evolução rápida da tecnologia, empresas do Vale do Silício têm ampliado os debates sobre a possibilidade de danos em larga escala.
No início deste mês, Jacob Coxon, funcionário da Anthropic, deixou o cargo e acusou a empresa e a OpenAI de “jogar com nossas vidas” ao “correr em direção a uma IA superinteligente”. Outro funcionário da Anthropic afirmou acreditar que existe uma probabilidade superior a 10% de que a IA elimine toda a humanidade na próxima década.
As declarações levaram para o debate público uma discussão que há anos divide o setor de tecnologia: até que ponto o desenvolvimento da IA deve ser limitado para reduzir riscos considerados extremos.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu posteriormente uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. A proposta recebeu apoio do CEO da OpenAI, Sam Altman, e de Elon Musk.
Para Gates, porém, a autorregulação das empresas não é suficiente. “É preciso que as autoridades policiais e os políticos participem da discussão sobre como devem ser as salvaguardas e o monitoramento”, afirmou. “E isso precisa ser uma exigência.”
Gates já havia abordado o tema em um ensaio publicado em agosto. Segundo ele, pessoas mal-intencionadas podem usar ferramentas de IA cada vez mais avançadas para ataques cibernéticos, fraudes, desinformação e outros danos em larga escala contra hospitais, instituições financeiras, redes elétricas e sistemas governamentais.
A discussão ocorre à medida que empresas como Anthropic e OpenAI desenvolvem sistemas de IA cada vez mais capazes, enquanto governos discutem regras para reduzir riscos relacionados à tecnologia. Fontes: Tamires Vitorio da Exame e Bloomberg da Investnews.



