Estado concentra maior área monitorada da iniciativa e abriga banco de corais de Abrolhos. Projeto prevê restauração em Coroa Alta e geração de renda para comunidades de Santa Cruz Cabrália
Foto: PNM de Abrolhos/ICM Bio
A Bahia será um dos principais territórios do primeiro projeto do BNDES Corais, iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que teve o contrato assinado nesta sexta-feira (13/02), para mapeamento e monitoramento dos recifes rasos ao longo da costa brasileira. O estado concentra cerca de 30% da área monitorada por abrigar o maior banco de corais do país, em Abrolhos.
Executado pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, o projeto SER Corais terá duração de 36 meses e realizará mergulhos científicos, análise ambiental e produção de mapas técnicos para apoiar políticas públicas de conservação marinha. Ação integra a iniciativa BNDES Azul e conta com R$ 5,5 milhões do Fundo Socioambiental.
Com duração de 36 meses, a iniciativa realizará expedições de campo, mergulhos científicos e análise de dados ambientais para acompanhar a saúde dos recifes ao longo de cerca de 2,8 mil quilômetros do litoral brasileiro. Além de Abrolhos, na Bahia, o projeto também atuará em Pernambuco, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Paraíba e Maranhão.
Serão monitoradas a cobertura coralínea, espécies associadas e a presença de espécies invasoras, com produção de mapas técnicos e relatórios científicos que apoiarão políticas públicas de conservação marinha. O projeto prevê ainda atuação em ao menos dez unidades de conservação e 43 eventos técnicos e oficinas.
A contratação marca o início da execução de uma das operações aprovadas no âmbito do BNDES Corais, considerada a maior chamada pública já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral.
“Os recifes de corais são fundamentais para a biodiversidade marinha, para a proteção da costa e para a atividade pesqueira e turística. Com o projeto SER Corais, fortalecemos a ciência brasileira e apoiamos soluções baseadas na natureza, em sintonia com as prioridades do governo Lula”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Além do monitoramento em larga escala, o projeto prevê ações práticas de restauração ecológica, incluindo cultivo de corais no mar e em laboratório, testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas, com destaque para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Coroa Alta, no sul da Bahia.
Também será criado um aplicativo para acionamento do Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida para espécies invasoras no ambiente marinho, fortalecendo o sistema nacional de monitoramento de bioinvasões.
“O BNDES Corais foi estruturado para combinar conservação ambiental, produção de conhecimento e inclusão social. Este projeto mostra que é possível proteger os recifes e ao mesmo tempo fortalecer comunidades costeiras e gerar desenvolvimento sustentável”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
Impacto social no sul da Bahia – Do ponto de vista social, a iniciativa amplia ações de turismo de base comunitária já desenvolvidas pelo Instituto Nautilus. Em Santa Cruz Cabrália (BA), nas comunidades pesqueiras de Santo Antônio e Santo André, o projeto prevê capacitações, oficinas de empreendedorismo, mentorias e apoio à estrutura produtiva local, incluindo beneficiamento de produtos como coco e dendê. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 230 famílias, gerando alternativas de renda e reduzindo a pressão sobre a pesca predatória.
Para a fundadora do Instituto Nautilus, Fabiana Felix, a contratação representa a ampliação de uma estratégia já consolidada de monitoramento recifal.
“O SER Corais permitirá ampliar o monitoramento já realizado com o projeto Budiões para os próprios corais e organismos bentônicos, gerando dados estratégicos para políticas públicas e ações de restauração”, afirmou.
O monitoramento contínuo permitirá identificar fatores de estresse local, como poluição, pesca predatória e urbanização desordenada, orientando medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
A operação está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, à Década da Restauração de Ecossistemas e ao Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais), contribuindo também para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 8, 12, 13 e 14. Ao integrar ciência, restauração ambiental e desenvolvimento local, o projeto reforça a atuação do BNDES Azul como instrumento estratégico de proteção dos oceanos e de promoção da economia sustentável no litoral brasileiro.
Sobre o Instituto Nautilus
O Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade é uma organização não governamental sem fins lucrativos, criada em 2006. Tem a missão de atuar na conservação da natureza, com ênfase no ambiente marinho, mediante ações de pesquisa e sensibilização da sociedade, apoiando tecnicamente e cientificamente projetos de pesquisa, educação ambiental e outros que promovam o bem-estar social e a integração do ser humano com o ambiente que o cerca.
Sobre o BNDES Corais
O BNDES Corais é a maior iniciativa já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral. A Chamada apoia ações de monitoramento científico, restauração ecológica, combate a espécies invasoras e promoção de atividades econômicas sustentáveis associadas aos recifes, com foco no aumento da resiliência desses ecossistemas frente às mudanças climáticas e às pressões antrópicas.
Sobre o BNDES Azul
A iniciativa BNDES Azul foi criada para fomentar o uso sustentável dos recursos oceânicos, costeiros e hídricos do Brasil, promovendo desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. A proposta integra a visão de uma “economia azul”, que reconhece o papel estratégico do mar – a chamada Amazônia Azul, que corresponde a cerca de 5,7 milhões de km² – como vetor de inovação, emprego e sustentabilidade.
Na sua vertente ambiental, o BNDES Azul conta com ações como o Planejamento Espacial Marinho (PEM) nas regiões Sul, Sudeste e Norte; o Edital Manguezais do Brasil, no âmbito da iniciativa Floresta Viva, em parceria com a Petrobras; o BNDES Corais; e o BNDES Sustentabilidade: Ilhas Oceânicas, Ninhos Protegidos. Por Agência BNDES de Notícias


