Autoridade Britânica reforça aviso sobre risco de inflamação do pâncreas ligado a remédios como Mounjaro e Wegovy

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Autoridade sanitária britânica orienta médicos e pacientes a redobrar atenção a sintomas de pancreatite associados a medicamentos usados no controle do diabetes e da obesidade

Mais de 1 a cada 4 adultos se enquadra nos critérios para uso de canetas emagrecedoras no mundo. — Foto: Edilson Dantas / O Globo – George Frey / Bloomberg – Cydni Elledge / The New York Times

Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA), órgão responsável pela vigilância e segurança de medicamentos no país, emitiu um novo alerta sobre a possível associação entre casos graves de inflamação do pâncreas e o uso de medicamentos para obesidade e diabetes, como o Mounjaro e o Wegovy.

De acordo com a agência, embora a pancreatite associada a esses fármacos seja considerada rara, alguns episódios relatados foram “particularmente severos”, o que levou à intensificação das recomendações para médicos e pacientes.

A orientação se aplica a medicamentos que mimetizam o hormônio intestinal GLP-1 — como o Wegovy — e também aos que simulam um segundo hormônio, o GIP, caso do Mounjaro. Ambos os produtos já apresentam advertências semelhantes nos Estados Unidos, segundo comunicados de autoridades sanitárias internacionais.

Em nota, a Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, afirmou que os pacientes devem utilizar os medicamentos apenas sob a supervisão de um profissional de saúde, capaz de orientar sobre possíveis efeitos colaterais. A empresa declarou ainda que “o perfil de benefício-risco dos medicamentos à base de GLP-1 permanece positivo”.

Já a Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, informou que a inflamação do pâncreas pode afetar até 1 em cada 100 pessoas. A farmacêutica recomendou que pacientes com histórico de pancreatite conversem com seus médicos antes de iniciar o tratamento. Em comunicado oficial, a empresa declarou que “leva a sério todos os relatos relacionados à segurança dos pacientes e continuará trabalhando com os prescritores para garantir informações adequadas sobre riscos e uso seguro”.

Dados divulgados pela MHRA apontam que a agência recebeu cerca de 1,3 mil notificações de pancreatite associadas a esses medicamentos entre 2007 e outubro de 2025. Esses registros incluem 19 mortes e 24 casos de pancreatite necrosante, condição na qual ocorre a morte de tecido pancreático. No mesmo período, aproximadamente 25 milhões de embalagens desses produtos foram dispensadas no Reino Unido.

Como medida preventiva, a agência britânica orientou que pessoas que utilizam medicamentos para obesidade procurem atendimento médico imediato ao apresentarem dor abdominal intensa e persistente, especialmente se a dor irradiar para as costas e vier acompanhada de náuseas e vômitos.

A autoridade sanitária também recomendou que médicos perguntem a pacientes com esses sintomas se estão utilizando esses medicamentos. A preocupação, segundo a MHRA, é que, em casos de compra privada, o uso do fármaco pode não constar no histórico médico mantido pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS), dificultando o diagnóstico e a tomada de decisão clínica.

Especialistas em farmacovigilância destacam que o monitoramento contínuo de eventos adversos é uma prática essencial em medicamentos de uso amplo, especialmente aqueles voltados a condições crônicas como obesidade e diabetes, que tendem a alcançar milhões de pacientes em diferentes faixas etárias e contextos de saúde. Por Alan.Alex / Painel Político

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