Algo que ocorre uma vez a cada dois meses é BIMENSAL ou BIMESTRAL?

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Por professor Sérgio Nogueira
BIMENSAL ou BIMESTRAL?
Imagine que você esteja lendo a previsão do tempo e se depare com a informação:
“A Lua Cheia será BIMENSAL.”
Antes de achar que nosso satélite saiu da órbita ou que os meteorologistas estão no mundo da Lua, pense um pouco e responda: você sabe a diferença entre BIMENSAL e BIMESTRAL?
São palavras semelhantes, mas de significados diferentes:
BIMENSAL é tudo que ocorre DUAS VEZES NO MÊS.
BIMESTRAL é tudo que ocorre DE DOIS EM DOIS MESES.
Algumas empresas, por exemplo, depositam parte dos salários no dia 1º e a outra metade no dia 15, portanto é um pagamento BIMENSAL. Já as provas nas faculdades costumam ser aplicadas a cada dois meses, portanto, são provas BIMESTRAIS.
A informação meteorológica de que falamos no início, portanto, não tem nada de errado. Embora raramente, a Lua Cheia pode, sim, ocorrer duas vezes no mesmo mês. Mas de dois em dois meses, só se for na ficção científica.
AO INVÉS ou EM VEZ DE?
É correto dizer “AO INVÉS de ir à padaria, foi ao mercado”?
Errado não é, mas…
Esse AO INVÉS virou palavra curinga. Serve para tudo.
Muitos estudiosos já aceitam a frase “AO INVÉS DE ir à padaria, foi ao mercado”.
Mas é bom lembrar que a expressão AO INVÉS DE significa “ao contrário de”, e só poderia ser usada no caso de trocas entre coisas opostas:
“Entrou à direita ao invés de entrar à esquerda.” (Direita é o oposto de esquerda)
“Subiu ao invés de descer.” (Subir é o oposto de descer.)
Já naquela nossa frase de exemplo, mercado nunca foi oposto de padaria. Nesses casos, e sempre que houver dúvida, use EM VEZ DE, que serve tanto para coisas opostas quanto para não opostas. Veja os exemplos: “EM VEZ DE ir à padaria, foi ao mercado.”
“Subiu EM VEZ DE descer.” “Entrou à direita EM VEZ DE entrar à esquerda.”
Sem discutir certo ou errado, sugiro que só usemos AO INVÉS DE quando a substituição for entre opostos. E podemos usar EM VEZ DE para qualquer tipo de substituição (opostos ou não). Assim sendo, na dúvida, use sempre EM VEZ DE.
Ao persistirem os sintomas???
Esta frase aparece com muita frequência na televisão, em anúncios de remédios: AO PERSISTIREM os sintomas, um médico deverá ser consultado.
Será que está correta? O que mudaria se a agência publicitária usasse A PERSISTIREM, em vez de AO PERSISTIREM?
Quando diz AO PERSISTIREM, o comercial está praticamente afirmando que os sintomas persistirão, pois AO PERSISTIREM significa QUANDO PERSISTIREM. Compare:
“Ao SOAR O APITO FINAL, os jogadores trocaram camisas.” (Ou seja: QUANDO SOOU o apito final, os jogadores trocaram camisas.)
Agora, veja a diferença:
“A CONTINUAR ESSA VENTANIA, vai chover mais tarde.”
Percebeu? A pequena mudança do AO para A fez muita diferença. A CONTINUAR ESSA VENTANIA significa SE CONTINUAR ESSA VENTANIA.
Certamente, a intenção do redator daquele anúncio imaginou essa hipótese: SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, ou SE OS SINTOMAS PERSISTIREM, consulte um médico.
Deveria ter escrito, portanto: A PERSISTIREM OS SINTOMAS, e não “ao persistirem”.
ROLÊ ou RULÊ?
Chega o inverno, é hora de tirar as blusas do armário, todas cheirando a naftalina.
Uma das roupas mais comuns nessa época é a blusa com aquela gola que se enrola no pescoço – como se chama mesmo? Gola ROLÊ ou RULÊ?
A palavra veio do francês roulé, que significa “enrolado”. Em português, ficou RULÊ, com U.
E aquele bife recheado, geralmente amarrado com uma linha ou preso por palitos: bife ROLÊ ou RULÊ?
Curiosamente, o bife é ROLÊ, com O, muito embora a origem da palavra seja a mesma.
Às vezes essa nossa língua é “enrolada”, não é mesmo?