Agricultores do sul da Bahia participam de vivência sobre sistemas agroflorestais

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Evento aconteceu em Medeiros Neto e reuniu participantes de programa desenvolvido pela Fibria para fortalecer a agricultura familiar

Difundir conhecimentos sobre sistemas agroflorestais sintrópicos, que são aqueles que estimulam o uso da tecnologia natural, ou seja, os recursos que a natureza oferece, para produzir madeira e alimento. Este foi o objetivo de evento realizado no Viveiro Anauá, em Medeiros Neto (BA), no final de março, que reuniu 45 participantes, incluindo a equipe técnica do Programa de Desenvolvimento Rural Territorial (PDRT), desenvolvido pela Fibria, agricultores familiares que participam do PDRT e outros interessados.

A sintropia é um conjunto de princípios e técnicas que integram a produção de alimentos de maneira regenerativa natural e a produção de florestas. A atividade de vivência em sistemas agroecológicos sintrópicos foi ministrada por Juã Pereira, do Sítio Semente, localizado em Brasília (DF), que é referência em agricultura sintrópica. Ele é seguidor dos ensinamentos de Ernst Götsch, agricultor e pesquisador suíço que migrou para o Brasil no começo da década de 80 e desenvolveu o método da agricultura sintrópica.

Narcisio Luiz Loss, consultor de Sustentabilidade da Fibria, destacou que os conhecimentos repassados contribuem para fortalecer e aprimorar práticas já adotadas por agricultores familiares que participam do PDRT, que buscam aproveitar ao máximo o que a natureza oferece e reduzir impactos ambientais.

Foram abordadas diversas questões: sistema agroflorestal sintrópico, participação da família no sistema, participação da mulher, efeitos ambientais, produção, colheitas sucessivas, comercialização em diversas formas, selos orgânicos, segurança alimentar, manejo ecológico da água, plantios para áreas irrigadas e de sequeiro, manejo do sistema e respeito à natureza.

Os participantes também tiveram atividade prática num sistema agroflorestal implantado há aproximadamente nove meses, no Viveiro Anauá. Eles fizeram proposta de manejo da área para potencializar a produção a partir de podas, ampliando a entrada de luz para algumas culturas como o abacaxi e maracujá, ao mesmo tempo em que era feita a cobertura do solo com a poda das bananeiras, eucaliptos e mandiocas. Na sequência, teve início o trabalho de implantação em dez fileiras, de aproximadamente 25 metros de comprimento, totalizando 250 metros quadrados, num sistema biodiverso (hortaliças, frutas e madeira).

Entre as faixas foram implantados dois exemplos de modelos de plantio, um para áreas de sequeiro e outro para áreas irrigadas. No de sequeiro foram inseridas as seguintes culturas: feijão, milho, aipim e abacaxi. No sistema com irrigação foram implantadas: berinjela, mamão, jiló, couve, alface, tomate, cenoura e coentro.

Após as atividades práticas, finalizando o curso, os participantes tiveram um bate-papo revisando as atividades, tirando dúvidas, e tratando dos processos de gestão envolvidos em várias frentes de comercialização: feiras-livres e venda de cestas de produtos orgânicos. Também foram abordados o processo de certificação orgânica com a OCS (Organização de Controle Social), que certifica a produção para venda direta ao consumidor, e o Selo Orgânico do Brasil. Por Alessandra Fornazier

Analista de Comunicação.

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