A violência interior

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Parte I- É muito interessante e atual falarmos sobre violência, afinal, convivemos diariamente com ela. Mas, tentarei neste artigo levantar algumas reflexões apresentadas, na verdade, por Ivan René Franzolim, que tive a ousadia de sintetizá-las e que mostra um aspecto pouco visto por cada um de nós.
“A palavra violência exprime todo pensamento, complementado ou não, por palavras e ações, que exteriorize um sentimento contrário à lei do amor e da caridade. No mundo atual, acompanhamos, muitas vezes, com o requinte de detalhes, as notícias e reportagens sobre os atos mais violentos da humanidade. Esse contato diário com os atos extremados do ser humano torna as pessoas mais insensíveis, levando-as a desconsiderar suas pequenas atitudes de violência, esquecendo-se de colocá-las no rol daquelas que devem sofrer o esforço de transformação no trabalho constante de autoaprimoramento.
A propensão à violência é característica dos Espíritos vinculados ao planeta Terra, variando apenas quanto à intensidade e aos estímulos necessários para desencadear a ação violenta. Daí o “não julgueis”, induzindo-nos pelo raciocínio, a buscarmos maior prudência ao julgar o próximo, porque não sabemos se guardamos em nosso íntimo o mesmo grau de violência que condenamos, esperando apenas as condições propícias para despertar.
Segundo o Espírito Verdade (perg. 785 do L.E.), o maior obstáculo ao progresso moral é o orgulho e o egoísmo. Ambos caracterizam o sentimento ainda muito imperfeito que aliado à ignorância das leis naturais e seus mecanismos de atuação, originam as ações contrárias a essas mesmas leis constituindo a violência. Essa ignorância, no entanto, não nos exime de culpa e responsabilidade pelos nossos atos, uma vez que a lei de Deus está escrita na consciência de cada um (perg. 621), permitindo ao homem discernir sobre o bem e o mal… (Consultar “O Livro dos Espíritos “)
Devemos combater a nossa violência interior em todas as suas formas e intensidades, porque, com ela e através da Lei de Sintonia, contribuímos para a sua manutenção entre nós. Muitas vezes, achamos que não fazemos mal a ninguém (pelo menos diretamente), apesar de fazermos mal a nós próprios diariamente, agredindo nosso corpo com fumo, bebidas, remédios e alimentos inadequados ou exagerados, agredindo nosso campo emocional e psíquico com impaciência, irritação e pensamentos infelizes.
Parece lógico supor que os pequenos atos de violência sejam mais fáceis de eliminar e que o conjunto desses atos favorecem perigosamente o aumento gradativo da tendência de agir com violência. Logo, convém priorizar a eliminação das pequenas atitudes inconvenientes, bem como evitar que elas se transformem em hábitos, o que dificultaria sua constatação e eliminação pelo seu portador.
O conhecimento espírita oferece diversas medidas preventivas imprescindíveis para evitar que o sofrimento surja em consequência da lei de ação e reação. Eis alguns deles: fixar objetivos de aperfeiçoamento moral, conhecer melhor a si mesmo, enriquecer dia-a-dia o seu conhecimento espiritual, estimular continuamente o bem interior, trabalhar pelo seu autoaprimoramento, fazer o bem, evitar o mal, orar.”
Semana que vem tem a continuidade.