A tal da selfie no serviço pode?

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Dizem que esse hábito, que não expressa liberdade ou democracia, praticado no setor de serviço numa empresa, vem-se tornando uma praga moderna. Estaríamos vivendo, hoje, fatos comparados às histórias bíblicas narradas em ‘As Pragas do Egito’? Nem tanto assim. Mas se trata de um vício que está atrapalhando a vida de muita gente, até o casamento.

Estão extrapolando. Os mais jovens, talvez, estejam abusando de usar aparelhos modernos em serviço, fazendo as selfies. A toda hora, há um ato desses, desabonador para quem está numa empresa. A toda hora, um é mandado embora. A toda hora, há a infringência da lei quanto ao coletivo. A toda hora, o erro não é reconhecido. Há quem considere direito de o empregado, em serviço, usar sua ‘criatividade’ para mostrar, em redes sociais, as grandezas, as chacotas, a liberdade de expressão. Isso pode?

Há, como disse um entendido, falta de regulamento – o empregado tem que ficar sabendo o limite dessa ‘liberdade’ em serviço. O que pode e o que não pode.

No serviço, não pode. Ali é local de trabalho, de atender o cliente, de estar atento para as necessidades imediatas – apagar ou acender a luz, apanhar um objeto que caiu, colocar uma peça na gôndola, arrumar o mostruário etc.

Ficar parado, cutucando o diabo com vara curta, somente olhando o seu aparelhinho, dando risadas, como se estivesse em sua casa, não. Desligue seu aparelho, companheiro! Agora, é hora de trabalhar. Seria como numa aula. Quer apenas praticar joguinhos, fique em casa. Quer fazer isso e algo mais, aguarde o momento do intervalo. Na hora em que o mestre está explanando um assunto – para posterior debate coletivo – não! Mesmo que você não goste do modo como o mestre faz seu trabalho, mesmo que você discorde, é preciso em primeira mão se inteirar de tudo, para ter razões seguras no seu contraditório.

Imagine o seguinte. Fulano é convidado para uma palestra. Chega ao local um pouco atrasado, e o anfiteatro (vamos dar-lhe esse nome) já está cheio. Tem preguiça de adentrar o recinto para procurar um lugar mais aconchegante e que lhe dê a segurança de boa participação. Na porta de entrada, há muitas pessoas paradas, algumas conversando, e até alto. O chegante fica ali mesmo. É mais um a atrapalhar e a nada entender do teor da palestra (não dá para ouvir bem).

Vem o outro e lhe pergunta sobre o andamento de tudo. O desinformado responde que não está gostando por que está uma bagunça, por que ninguém escuta nada nem entende. (São comuns essas observações desconexas.)

No mínimo, o informante, que chegou atrasado e de nada sabe, deveria ter o bom-senso de dizer “Não sei, porque não há lugar e daqui não dá para escutar tudo direito”. Isso não fala, por imodéstia, e ainda quer ser o maioral. Ou entraria ou iria embora. Poderia, no mínimo, ficar calado e fazer silêncio para não atrapalhar. No final de tudo, aguardar alguém que lhe fizesse a verdadeira explanação sobre a fala do palestrante e sobre o tema discorrido. O resto é balela e falta de educação.

Assim, querem atuar alguns, e até no serviço fazem o que não devem. Trata-se de desídia, como preceitua a CLT – o empregado relapso vai ao banheiro e fica lá por muito tempo; em outro caso, não toma o cuidado de atender de imediato quem chega; primeiro, conversa com o coleguinha, também relapso. O resultado é este – diante de tanto abuso, ainda quer-se manter no emprego. Como? O hábito de ficar tirando selfie no serviço implica justa causa para a dispensa do empregado. Nada mais.

Dizem que alguns tiram essas fotos e fazem montagens para que os colegas se pareçam ridículos – colocam neles nariz de palhaço, chifre de bode ou ingredientes lascivos e jogam tudo na rede. Isso é boa atitude?

Não dá para entender. De quem é a culpa? De achar que “Quando eu quero, por que tenho liberdade, é meu direito ser assim – eu sou moderno”.

Não é isso, jovem! Você está cavando o seu próprio desemprego. A empresa fica prejudicada, e já que você não quer trabalhar, a melhor saída é dispensá-lo.

E pronto.