O Dicionário HOUAISS da Língua Portuguesa registra vinte e duas acepções para a palavra VIVO, sendo que na quarta consagra: “sagacidade, inteligência, perspicácia, esperto, ladino”. Enquanto que o Dicionário Analógico da Língua Portuguesa de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, amplia para mais de duzentas. O acadêmico Carlos Heitor Cony discorrendo sobre as maravilhas tecnológicas atuais, relembra o sofrimento de todos nos seus primórdios. Não vai muito longe quando em Salvador, na década de 60, se alguém desejasse falar com qualquer parte do Brasil pelo telefone, era necessário que se dirigir à Radional, única empresa do ramo, situada na cidade baixa, para então, indicar o número da cidade e aguardar alguns dias para se completar a ligação. Houve um tempo em que um aparelho de telefone custava tanto ou mais que um carro. Quando aqui chegou, comprei dois telefones, como o Povoado não tinha banco, a Telebahia não recebia cheque. Então solicitei ao meu amigo Joaquim Antunes Tavares, trocar o meu cheque de R$ 10.000,00, do Bradesco de Medeiros Neto. Até hoje o mesmo número 29 l l 6 6 2, antecipado do 3.
No ano passado procurei a Embratel para uma assinatura de Internet, a gerente, D. Áurea, informou que por eu morar longe do centro o sinal, então transmitido, não atingiria o local. Atualmente o Brasil já ultrapassou mais de 194.000.000 de habitantes. Porém com mais de 210.000.000 de Celulares. Enquanto o sistema era estatal não atendia a demanda satisfatoriamente. Veio a privatização. Poucas empresas se habilitaram. Uma delas, com o sugestivo nome de VIVO, com proveito da assertiva e do sugestivo conceito que o populacho lhe dá, apropriou-se de mais de 70% do fornecimento do serviço. Com os olhos maior que a barriga, presta um serviço de péssima (não há outro superlativo para qualificar), qualidade. É a campeã das reclamações nos Juizados do país. Agora inovou. Não envia os boletos na data do vencimento, obrigando os usuários a procurarem o escritório central para que outros sejam emitidos. Com uma diferença. Como estão fora dos prazos, acarretam juros de mora. Sendo o Brasil um país de cegos, surdos, mudos, onde as autoridades fazem ouvidos de moucos, não ouvem, não enxergam, não percebem, não acreditam em nada, a população sofre e não tem a quem recorrer. Vive flauteada. É bem provável que Policarpo Quaresma se estarreceria com tudo que estamos a presenciar. Agora, leio em o Alertaque mais três Torres deverão ser instaladas na cidade pela Morta – desculpem – VIVO. Bem se vê que o nome VIVO não é o adequado para designar uma empresa que apenas associou o nome como sinônimo de sagacidade, de esperteza. Sendo o Brasil um dos coitadinhos, onde aflora com veemência o seu complexo de vira lata, tão bem apregoado por Nelson Rodrigues, não é de se admirar que a Morta deseje inverter a ordem dos fatores, segundo o qual dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Isso numa Sexta economia. Mas a Morta acha que pode. Tanto assim, que com Torres, Aparelhos, Tecnologia e demais sofisticados aparatos, concluiu que deve espremer uma infinidade de telefones e assemelhados num espaço exíguo onde nem um décimo caberia. Ciente da leniência das autoridades, da corrupção consagrada e institucionalizada, contando o espírito bovino do brasileiro, age vulpinamente. Por isso sugiro que se lhe dê nova denominação: A MORTA – TANATUS, com atestado de óbito e tudo. (Colorem habet substantiam vero nullam – tem aparência mas na verdade a substancia é nula).
Teixeira de Freitas, 10 de janeiro de 2012. *Ary Moreira Lisboa é advogado e escritor.


