Virando uma página: Tucanos acreditam na recuperação dos Correios desde que haja compromisso com a gestão

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A atual situação dos Correios foi tema de debate realizado na quinta-feira (20/4) por três comissões da Câmara. Diante das dificuldades enfrentadas pela empresa e dos prejuízos resultantes da ingerência de anos anteriores, deputados do PSDB defenderam seriedade e comprometimento da atual gestão para que a estatal possa voltar a ter lucros e crescer.

Vivendo a mais grave crise financeira, os Correios fecharam os dois últimos anos com prejuízos bilionários. No primeiro trimestre deste ano houve novas perdas: R$ 400 milhões de déficit. Em 2016, a empresa anunciou um Programa de Demissão Incentivada (PDI) e pretendia atingir a meta de 8 mil servidores, mas apenas 5,5 mil aderiram ao programa. O resultado foi uma economia de R$ 700 milhões anuais, ficando aquém do necessário.

Durante a audiência pública, o presidente da empresa, Guilherme Campos, afirmou que os Correios vão vencer a crise, mas que outras ações para enxugamento da máquina ainda serão necessárias.

Um dos requerentes da audiência pública, o deputado Luiz Carlos Hauly (PR) afirmou que somente uma gestão séria pode transformar e recuperar a empresa. Ele demonstrou confiança na direção de Guilherme Campos. Para ele, é necessário que a empresa tenha um programa capaz de manter salários adequados e dar competitividade. “Se não houver qualidade, eficiência e bons preços, vai falir. Sem equilíbrio, os Correios vão para o buraco”.

O tucano lamentou os equívocos cometidos em gestões passadas, quando o PT loteou a empresa. Ele defendeu a meritocracia e o fim do compadrio para que haja uma gestão realmente eficiente. “Não tem que ter conversinha política. Trata-se de um negócio. É uma estatal e o governo tem que salvá-la”, destacou, ao afirmar que os responsáveis por irregularidades no fundo de pensão da empresa precisam ser presos.

Segundo Guilherme Campos, os equívocos das gestões passadas estão nas mãos dos órgãos competentes, como TCU, Polícia Federal e Ministério Público. Além disso, os mecanismos de auditoria estão funcionando. “Mas o nosso foco hoje é para frente. Não podemos olhar pelo retrovisor. A ausência de gestão me decepcionou muito, mas a qualidade dos nossos servidores é grande. Com muito trabalho, comprometimento e decisões ainda difíceis, a recuperação dos Correios vai acontecer”, garantiu o presidente.

O deputado Izalci (DF) lamentou que os Correios tenham sido usado como cabide de emprego durante anos e disse que tanto a empresa quanto o fundo de pensão dos funcionários sofreram um verdadeiro assalto. Para que haja recuperação, ele acredita ser necessário valorizar servidores e também ter condições de competitividade. Além disso, um grande desafio, aponta, é modernizar e colocar a estatal na era da tecnologia. O deputado disse ao presidente da empresa que a Câmara está à disposição para ajudar no que for preciso, inclusive melhorando a legislação para fortalecer os servidores e a empresa.

O deputado Eduardo Cury (SP) disse não ver motivos para se pensar em privatização da companhia. Mas afirmou que o fato de ser uma estatal não dá ao governo o direito de sair indicando tarifas sem a devida medição da eficiência. “Permanecer num modelo com a imposição de altas tarifas para o cidadão simplesmente porque deve manter como estatal é um erro e vai acabar com a empresa no longo prazo. Fora que já existe o legado recebido da corrupção”.

De acordo com o tucano, os servidores hoje estão sendo penalizados com algumas medidas, mas se nada for feito agora, a situação pode ser ainda pior no futuro.  “É possível manter os Correios vivos desde que se faça o dever de casa, corte gorduras, continue as apurações sobre os casos de corrupção e se acabe com a intervenção indevida de sindicatos no fundo de pensão, que levou a perdas enormes”, pontuou.

Também presente ao debate, o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios, José Rivaldo, afirmou que a entidade é totalmente contrária à demissão e quer manter os 117 mil servidores da casa. Está nos planos da empresa o fechamento de 200 agências, além da reestruturação da folha de pagamentos. Segundo Campos, a suspensão das férias dos servidores está mantida porque não há caixa para pagamento. A decisão será revista assim que a empresa apresentar sinais de recuperação.

A audiência conjunta foi realizada pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Direitos Humanos e Minorias; de Finanças e Tributação; e de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia. (Djan Moreno/ Foto: Alexssandro Loyola)

 

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